As avós da minha vida

Eu tenho 4 avós na minha vida. E todas elas merecem ser honradas. Aproveitei a deixa da Rede Mulher e Mãe com a blogagem coletiva sobre avós e resolvi fazer uma singela homenagem.

Vó Aracy (mãe da minha mãe):

Vó Aracy cuidando de mim 🙂

Vó Aracy e vô Oscar me visitando quando Mateus nasceu

Foi quem ajudou a me criar. Quando minha mãe se separou do meu pai e eu tinha meses de vida foi ela quem deu a maior força.

Ela que me ensinou a ler, catava meus piolhos (ok, isso nem é emotivo ou coisa parecida mas eu me lembro disso também), cuidava de mim quando estava doente,  me ensinou a amar os filhos de uma maneira incondicional. Ela era meio antiquada tinha uma tendência de se magoar com as coisas (e eu acho que isso não fez muito bem pra ela). Prendada! Blusas de lã lindas, blusas de crochet, tapetinho de patchwork tudo o que ela olhava e gostava ela fazia. Fez um colcha pra mim (em crochet) de florzinhas feitas só com retalho dos fios que ela usava para outros trabalhos, quando a Lais tiver a caminha dela eu vou colocar lá porque ela sempre me falava que aquela colcha era pra eu dar pra minha filha depois que eu casasse. Aprendi a fazer tricot e costurar com ela. Crochet ainda é o mistério da minha vida.

Acho que o maior desgosto que dei pra ela foi eu ter casado cedo. Eu explico, pra ela a mulher deveria estudar, trabalhar, ficar fora de casa o máximo possível. Mas isso porque ela não se conformava de ter largado os estudos e casado cedo. Se ela me visse hoje com certeza concordaria que pra mim foi o melhor caminho. Com ela aprendi a confiar e a depender de Deus pra tudo. Ela faleceu faz mais de 10 anos (eu não guardo data de falecimentos de ninguém). Só lembro que foi no dia depois do Dia das Mães, ela infartou e morreu falando o Salmo 23 que foi o salmo da vida dela, e é o da minha também. Me faz muita falta. Não desprezo os sacrifícios que a minha mãe fez por mim, mas a minha vó foi a minha mãe. Eu lembro de uma cartinha que ela escreveu descrevendo o dia em que eu nasci. Pena que essa carta se perdeu. Mas tinha um trecho que falava algo “quando vi aquela bonequinha branquinha de cabelo preto e lacinho vermelho na cabeça pensei que era a menina mais linda que eu tinha visto”. [Pausa pra chorar] Mas eu fico feliz que ela me viu nascer, crescer e me viu casar, parir meu primeiro filho. Ela foi parideira, teve 7 filhos de PN todos em casa :).

Mas não tão parideira quanto a minha outra vó…


Vó Oracy (sim eu tenho uma Ara e outra Ora… ) mais conhecida como Cecy (mãe do meu pai)

Vó Cecy e eu no dia do níver de 90 anos dela

Já vou começar dizendo que ela teve 12 filhos de PN tá? E que ela está vivinha da Silva com seus 91 anos quase 92. E que ela é linda, sempre foi e dizem que eu sou a cara dela (oi?). Essa minha vó só tem carinha de gente frágil, mas é uma rocha! Ficou viúva na minha opinião cedo, (meu avô morreu uns meses antes de eu nascer) já passou por a coisa mais terrível que uma mãe pode passar que é a perda de um filho (no caso dela foram dois filhos) e continua linda e lúcida! Passou por um sequestro daqueles de telefone esses dias atrás, eu queria matar o idiota que fez isso com ela, mas no final se conversar com ela sobre isso agora ela consegue rir da situação. Foi no show da Elba Ramalho também esses dias, e quanto ela pode dispensa a empregada pra poder ficar com o dinheiro da diária (desculpa vó, te dedei!). Também é prendadíssima e até hoje costura roupas para ela e faz uns sapatinhos lindos de tricot para os bebezinhos da família, que não são poucos né? Quando a família se reúne pra comemorar o aniversário dela é muito engraçado! Porque mais da metade não se conhece hehe! Ela que deu força pro meu pai depois da separação e também quem cuidava de mim quando ia passar as férias com ele. E sempre era muito divertido! Se tinha uma coisa que a vó sabia era do que criança gosta! Ela que me ensinou a gostar de ir no shopping, de ser uma mulher bem cuidada na aparência, a me portar de acordo com a situação e sempre ver o lado bom das coisas. Dizem que o segredo dela é Emulsão Scott, domir depois do almoço e creme Pond´s.

Vó Aurora (vó paterna do Amorzo)

Vó Aurora e eu

Essa vó foi mais difícil. Ela é como uma mãe do meu marido então pensem… foi a minha sogra. Acho que o maior medo dela era de eu não ser uma boa esposa para o Daniel, de ele acabar sofrendo, essas coisas que vó/mãe se preocupa. Quando começamos a namorar foi tudo bem, mas quando o negócio começou a ficar mais sério eu enfrentei uma oposição danada! Mas com o passar do tempo ela observando as minhas atitudes e eu sempre deixando claro que nunca odiei ela por nada (mesmo quando ela falava coisas que eu sabia que era pra me provocar :P) a nossa amizade foi se fortalecendo e hoje em dia tenho ela como se fosse minha vó. Ela tem altas histórias de vida pra contar que dariam um ótimo livro! Fazem anos que ela não sai de casa por causa da osteoporose, mas sempre está atualizada através do telefone. Garanto que se ela conseguisse usaria a internet também hehe. Preciso falar que das avós é a MAIS prendada de todas, pena que ela não consegue mais fazer as coisas que ela tanto gostava. Tenho uma gratidão enorme por ela, por todos os conselhos e principalmente por ter cuidado do meu marido até a gente se conhecer.

Vó Laura (mãe do meu padrasto)

Minha mãe, vó Laura e tia Andrea

E por último e não menos importante a vó que me adotou, me acolheu quando minha mãe casou de novo. Ela ainda não tinha netos “de sangue” e sempre me tratou igual mesmo quando eles vieram depois. Eu quase não a vejo mais, minha mãe não é mais casada com o meu padrasto (ele continua sendo meu pai2 tá?) mas sempre nos perguntamos uma da outra.

Ela é uma gaúcha baixinha divertida e às vezes braba! Ela me ensinou a tomar chimarrão, fazer chá,  fazer sagú, a colocar charque de molho, cerzir, me contava altas histórias do Sul e da bruxa Griselda hahaha! Ah sim, me deixava brincar com água por horas nos dias de calor :D. Cozinhava que era uma maravilha! Só de falar nela me dá saudade.

Veja se não fui privilegiada por essas 4 mulheres que fazem parte da minha história. Tudo que eu contei aqui não é metade do que elas são e fizeram. Mas fica como uma homenagem.

Com carinho da neta de vocês,

Marilia

P.S.: Infelizmente meus filhos não têm a mesma sorte, moram longe dos avós que sempre que podem se fazem presentes! Acredito que se eles morassem perto o vínculo seria maior!

BjoS!!!

5 Respostas

  1. Lindas histórias, e a maneira carinhosa como vc conta tb é bem emocionante.

  2. Que post lindo. Chorei, ri, me emocionei…
    Imagino a colcha. Deve ser linda. Tira uma foto depois pra gente ver!
    A parte do piolho é muito engraçada.
    Mas o mais impressionante pra mim foram os PN – idalas.
    Adorei o post. E acho que vc deveria aproveitar para tentar uma reconciliação com sua sogra…
    Olha eu me metendo…. hahahahaha
    Beijos!
    Calu

  3. Vou pensar no seu caso Calu… ou no da sogra? 😛

  4. HAHAHHA
    Escreveu quase a mesma coisa que eu. “Ela é linda, dizem que é a minha cara”.

    Modestas….

    rs

    Beijos

    Lindo texto.

  5. nossa qnt vó. parabéns.
    beijos

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