Independência Espiritual?

Esses dias me questionaram o porquê de eu não frequentar uma igreja aqui em Londrina.

Além de todo aquele papo clichê que “ninguém tem nada a ver com a minha vida” algumas coisas aconteceram antes de chegarmos a esse ponto.

Primeiro, nos mudamos para cá e apesar de ser bem acolhidos por uma igreja com pessoas queridas, mais tarde percebemos que a Instituição estava acima de tudo. Inclusive acima do amor entre as pessoas e pra mim e pra minha família isso é anti cristão em um grau tão máximo que não teve jeito. Depois dessa nós não procuramos mais nenhuma igreja para frequentar.

Nos reuníamos com um grupo aqui em Londrina, crescemos e aprendemos muito mesmo com eles, mas a vida e a correria acabou nos afastando, e confesso. Faz muita falta.

Mas o principal que aprendemos foi que não precisamos de uma instituição para nos relacionarmos com Deus. (Sim, eu creio em Deus e creio em um relacionamento com ele, tá me achando esquizofrênica?)

Sabe, não é que não precisamos de pessoas, de conselhos… isso nós precisamos sim! E Deus sempre manda alguém e isso é mais que incrível!

Mas eu não preciso recorrer a um lider espiritual que quando eu recorrer vai se sentir pressionado a dar alguma resposta, e bem… pode ser que nem seja a resposta certa! Isso já aconteceu com a gente dentro de uma igreja. E como fomos líderes algumas vezes nos sentimos pressionados assim, principalmente quando a pessoa em questão não tinha uma amizade/irmandade com a gente e ainda assim queria que solucionássemos a vida dela.

Eu também não preciso mais ir a alguma reunião onde as pessoas fingem ter comunhão umas com as outras e durante a semana falam mal uns dos outros pelas costas.

Eu não preciso puxar o saco de ninguém para obter alguma vantagem dentro de algum ministério (música, dança, mulheres, ensino…). Nem fingir que não quero brilhar enquanto faço de tudo para aparecer. Aquela falsa humildade de que todos se orgulham hehe.

Eu não preciso me preocupar que meu filho sofra um “bullying eclesiástico” por não ser filho de algum ser muito importante dentro da igreja.

Eu não preciso mais me preocupar em priorizar os “da casa” e ter um serviço mal feito que até meu filho de 8 anos faria melhor (encomendei um artesanato com uma pessoa da igreja que até tinha esquecido da encomenda, quando finalmente ela entregou eu tive que falar que adorei por consideração a ela, porque pensei que ela havia feito o melhor que podia. Mais tarde vi que não, ela foi displicente mesmo). Longe de mim querer culpar os outros por ter mentido, mas eu tinha muito carinho pela pessoa mesmo.

Eu não preciso fingir normalidade quando o que eu estou vendo não é normal! Não preciso me acostumar com algumas coisas meio fora do que tem na Bíblia porque foram revelações do Apóstolo, Líder, Papa.

Eu não posso mais concordar que quem trabalha para a instituição tem que ser voluntário e quando é mandado embora ainda sai com uma mão  na frente e outra atrás porque não tinha nada na CLT.

Eu não posso concordar que a instituição queira se meter em decisões de um estado que deveria ser laico (e não é!). Eu não acho que tomar o governo pelas beiradas (me corrompendo para que o que eu quero seja feito) seja uma maneira de manifestar o reino de Deus na terra, não mesmo.

Eu não posso concordar que a mulher seja humilhada dentro de casa e mesmo assim deva exibir um sorriso na frente dos colegas de igreja porque a mulher sábia consegue as coisas apenas com sorrisos.

Eu não quero que meus filhos cresçam discriminando outras pessoas, seja por qualquer motivo. Quero que eles aprendam a respeitar e amar mesmo as pessoas que não tenham a mesma opinião ou estilo de vida deles.

(Mas imagina! Isso tudo que eu falei só aconteceu perto de mim e comigo, né?)

Eu acredito em conversão, mudança de vida, acredito sim. Mas muito mais pelo exemplo que pelo sermão. O que eu vi durante anos foi muito mau testemunho e muitos bons sermões. Algumas exceções? Sim! Até muitas,  mas os que mais “pegam no pé” dos outros são os que menos fazem aquilo que falam. E não acredito em conversão instantânea. Converter é mudar de caminho. Isso não se faz da boca pra fora.

Eu acredito em milagres, principalmente aqueles que acontecem sem ninguém saber. Um emprego numa hora difícil, uma cura mesmo que tenha sido usada a medicina pra isso, um livramento em um acidente, um filho que nasceu bem mesmo depois de algumas complicações.

“Mas você não deve se escandalizar irmã!”

Mas eu não estou escandalizada, só cansada. E nem quero escandalizar ninguém, mas a instituição como é e está hoje em dia não me dá motivo algum para fazer parte dela.

Me desculpe, mas não quero fazer parte do seu clube!

O título do post é “Independencia Espiritual?” e tem um motivo.

Não vivemos uma independência de Deus. Muito pelo contrário. Aprendemos a depender SOMENTE Dele. E isso eu recomendo para todo mundo dentro e fora da igreja.

O que vivemos é uma independência institucional uma independência das “empresas eclesiásticas” como eu aprendi esse final de semana.

Eu sei que eu devo influenciar as pessoas com a minha vida, e não com o que eu falo. Quem sabe eu consiga isso, ao menos eu tenho tentado. Estou longe da perfeição, mas estou perto de ser um ser humano totalmente dependente de Deus.

BjoS!

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