Matéria sobre Parto Domiciliar na Folha de Londrina

Pois cada vez que fazem alguma entrevista relacionada com a humanização do parto pensamos sempre pelo lado bom. Vendo pelo lado bom as pessoas sabem que a opção existe, que os casos tiveram êxito, acabam se conscientizando que se tiver a assistência adequada (e não necessariamente médica, uma enfermeira obstetra ou obstetriz + pediatra por exemplo) e sendo uma gestação bem cuidada no pré-natal e de baixo risco é totalmente possível, viável e recomendável ter o bebê em casa.

Mas saiu uma matéria na Folha de Londrina que é impossível eu ficar quieta…

Não, não estou aqui para brigar. Estou aqui para argumentar. E vou fazer isso no maior estilo Madrasta do Texto Ruim, minha musa inspiradora!

Em roxinho quem fala sou eu, tá?

Perigo ou conforto?

Enquanto cresce o interesse pelo parto domiciliar, médicos alertam sobre os riscos.

Tá, sério mesmo que vocês estão comparando desta maneira? Já começou mal… Parto domiciliar não é uma questão apenas de conforto e se for bem planejado e assistido não há perigo nisso!  Perigo foi demais. Alertar sobre os riscos das cesáreas ninguém quer também né?

Para ter Surya em casa, Fernanda Rocha fez todo o pré-natal corretamente e não apresentava nenhum problema que inviabilizasse o procedimento. 

Ter o bebê no aconchego do lar, acompanhada do marido e familiares parece cena de filme antigo, mas é uma opção adotada por muitas mamães modernas. Obstetras e pediatras, no entanto, têm ressalvas quanto ao procedimento.  Nem todo obstetra e nem todo pediatra. Procedimento? Assistência ao parto seria o mais adequado. Eles não querem dar assistência ao parto domiciliar, certo? Mas tudo bem, vamos continuar.

A empresária Fernanda Alves de Sousa Rocha já tinha visto um programa sobre parto natural há alguns anos e quando ficou grávida da pequena Surya, hoje com pouco mais de 7 meses, voltou a pensar no assunto. ”Tenho também uma amiga que participa do grupo Gesta, de Londrina e ela me deu informações, mas só comecei a pensar em ter meu bebê em casa aos oito meses de gestação.” Já era um desejo dela ter a opção de escolha de ter a bebê em casa, isso há anos. Agora ela queria colocar isto em prática.


Ela conta que teve que mudar de obstetra, já que o primeiro se opunha ao parto domiciliar. O segundo profissional a apoiou e orientou sobre o que deveria ser feito para que o parto ocorresse em casa. ”O parto é familiar é amor puro. Obstetra este que não participa da reportagem (nem a pediatra). Mais abaixo na matéria podemos ver claramente o motivo. Participaram apenas meu marido, meus pais e minha sogra, além da doula, do obstetra e da pediatra. Acredito que a cabeça manda no corpo e por isso não tive medo.” A cabeça manda no corpo, gostei! Quer dizer que foi uma decisão RACIONAL. Foi pesquisado, pensado.


Para ter Surya em casa, Fernanda fez todo o pré-natal corretamente e não apresentava nenhum problema que inviabilizasse o procedimento. ”Ela estava posicionada corretamente, não tinha o cordão enrolado no pescoço.” Parto de baixo risco. Ok.


Ela conta que nem todos receberam a notícia com tranquilidade. Sua mãe, que passou por um parto complicado justamente no nascimento de Fernanda, se assustou com a escolha da filha. ”Eu nasci com o cordão enrolado no pescoço, foi bem complicado. Depois que expliquei como tudo aconteceria ela acabou aceitando. Já meu pai recebeu melhor a notícia.” Eu não sei ao certo como foi o nascimento da Fernanda, mas cordão enrolado no pescoço é algo comum e não inviabiliza parto. Mesmo que muitos obstetras deem esta desculpa ou outras como o cordão estava PERTO do pescoço.


No dia do parto a única solicitação do obstetra foi que ela fosse ao hospital fazer um exame para avaliar os batimentos cardíacos do bebê. ”Eu fui e voltei correndo para que ela nascesse em casa. O obstetra trouxe material para primeiros socorros e sutura, anestesia e aparelhos para medir batimentos cardíacos. A pediatra que acompanhou o parto também trouxe balão de oxigênio e sondas.” Ou seja, nada igual ao parto de antigamente onde não se tinha nenhum recurso!


Fernanda conta que o trabalho de parto começou na manhã do dia 31 de julho e durou 10 horas. ”Meu marido cortou o cordão umbilical. Ela mamou logo após o parto, foi tudo muito tranquilo.” Foi tranquilo? Que milagre!!! Porque poderia tanta coisa ter dado errado que num hospital não daria né? Oh wait… no hospital também dá muita coisa errado não é mesmo? Como infecções hospitalares, intervenções desnecessárias, e cesarianas desnecessárias por pressão do médico E da família. Sem falar da violência obstétrica e algumas humilhações por parte da equipe que muitas mulheres passam.


O estilo de vida da família contou bastante na decisão da empresária. Ela e o esposo já levavam uma vida natural, são vegetarianos, prezam alimentação saudável, gostam de acampar e ter vida ao ar livre e raramente recorrem aos medicamentos alopáticos, priorizando a medicina chinesa. ”Minha gestação foi tranquila, isso possibilitou fazer o procedimento. Cada caso é um caso e o apoio familiar é muito importante.” Aqui parece, só parece, que parto domiciliar é coisa de “bicho-grilo” hippie ou coisa parecida. Sinto muito informar mas muita gente “urbana” que se entope de Mc Donalds e toma Coca-Cola (e usa calça apertada rs) tem optado por ter seus filhos em casa, e olha só… tem conseguido!!!


Atendimento domiciliar em três cidades

Patrícia Merlin, doula e educadora perinatal em Maringá (Noroeste), já acompanhou alguns partos domiciliares. Ela mesma teve dois de seus três filhos em casa e acredita que isso faz toda a diferença na hora de dar à luz. Patrícia é coordenadora do Gesta 🙂 O blog dela é o A Bolsa da Doula. Não só acredita como tem certeza! O primeiro foi cesárea e as outras duas parto domiciliar.

”O parto domiciliar ainda não é frequente. Tem muita mulher que quer, depois percebe que não é tão simples e desiste no meio do caminho. No Paraná temos atendimento domiciliar em Cascavel, Curitiba e Maringá. Nesses locais já se conta com uma equipe.Equipe! Não é nada feito por acaso! Em Londrina tivemos duas experiências, mas é difícil achar quem atenda em casa”, reconhece. Entenderam? Não é todo mundo que pode nem todo mundo que quer, mas quem quer deveria ter no mínimo a vontade respeitada e uma assistência digna!

Para a doula, a intimidade e o conforto que a mulher tem em casa são fundamentais para seu estado emocional na hora do parto. ”Ela pode ficar do jeito que quiser, no local que quiser. No hospital ela fica restrita ao quarto, que em geral é pequeno.” No hospital vai ter sempre alguém pra ficar entrando no seu quarto e tirando a sua concentração e privacidade. Pra perguntar se já está doendo com aquela cara de: por que não vai logo para a cesárea e desocupa o quarto? Sempre vai ter alguém acendendo a luz, entrando sem bater à porta, e finalmente desencorajando e te chamando de corajosa (na verdade querendo dizer louca) por ter escolhido um parto natural. Experiência própria e de muitas outras mulheres, sim, aqui em Londrina.

Patrícia afirma que é necessário também haver uma assistência médica para que a mulher se sinta segura. ”A doula não é uma parteira. Ela dá apoio para a mãe e para o marido, é alguém que vai apoiar a família durante o processo, mas qualquer intervenção, mesmo simplesmente medir a temperatura, deve ser feita por uma enfermeira ou um médico.” Mais uma vez, assistência digna.

Nos seus quase 10 anos como doula, ela nunca presenciou intercorrências graves nos partos domiciliares. ”Já tivemos uma mãe com um trabalho de parto prolongado e também uma outra que acabou pedindo para ir para o hospital para fazer a analgesia, mas não porque houvesse um problema.” Estava tudo bem, uma demorou um pouco mais e a outra foi pro hospital por vontade própria (que foi respeitada, o que não aconteceria num hospital por exemplo se a mulher quisesse ficar em pé e MANDAM ela ficar deitada…).

A profissional ressalta que no parto domiciliar, embora seja permitido a presença de quem a gestante quiser, é melhor que seja restrito apenas ao marido, equipe de apoio e filhos. ”Já tivemos uma situação em que a mãe da gestante interferiu tanto que a mulher desistiu e acabou fazendo uma cesárea”, conta. Concordo plenamente! O parto é da mulher! A vontade dela deve ser respeitada. Nenhuma que eu conheço iria contra uma intervenção necessária. Só queremos um pouco de respeito nas nossas decisões. Na realidade precisamos de apoio também, mas se você não pode dar o apoio fique longe!

Mesmo com a equipe levando vários aparelhos e suportes que mãe e bebê teriam no hospital, a parturiente também precisa estar ciente dos riscos e pronta para assumir a responsabilidade sobre o que vier a acontecer no parto. ”Mulheres com gestação de risco não podem fazer parto domiciliar, nem mesmo quem teve alteração de pressão durante a gravidez.” O atendimento domiciliar tem um custo, que leva em conta o número de profissionais, a experiência da equipe e também o município. Segundo ela, o valor varia entre R$ 1 mil e R$ 10 mil. (E.G) Mais uma vez… não é para todas as mulheres! Isso acho que ficou muito claro, não é?

‘O melhor local é no hospital’

O ginecologista e obstetra Antônio Caetano de Paula, presidente da Associação Médica de Londrina, acredita que fazer um parto em casa seria o mesmo que ir a São Paulo a cavalo. ”Só se justifica se for tão rápido que não dê tempo de chegar ao hospital. As pessoas encaram o parto como uma festividade e não como um procedimento médico”, observa. Desculpa Dr.. O parto é sim uma festividade. E não é um procedimento médico. Assistência ao parto sim, é um procedimento médico ou da enfermeira obstetra/obstetriz. Mas eu acho que o senhor nunca pariu nenhum dos bebês das suas pacientes, não é mesmo? Parir é um ato da mulher! O senhor só conseguiu deixar claro como encara o parto das suas pacientes. Como uma doença como outra qualquer que o médico está ali para curar. Não, o parto não é isso! E se eu quiser ir para São Paulo a cavalo? Se eu tiver condições físicas para isso e quiser aproveitar a paisagem, não posso? E se para me ajudar no caminho eu usar um GPS? Qual o problema em se usar a tecnologia a favor do conforto da mãe na hora do parto?

Eu rezaria mesmo para que meu parto fosse bem rápido se eu estivesse com um médico que pensa assim. Pelo menos não daria tempo de se fazer a maioria das intervenções “padrão” de um parto hospitalar.

De acordo com o obstetra, os problemas podem ocorrer com qualquer pessoa, mesmo com aquelas mulheres que fizeram o pré-natal corretamente. ”Em alguns casos não há tempo de chamar uma ambulância. O parto é um momento de alegria mas há riscos”, resume. O mesmo acontece com as cesáreas desnecessárias. Que aliás apresentam riscos maiores e isso não é impedimento para que elas continuem sendo feitas sem ao menos se informar a paciente sobre isso. Pelo menos quem escolhe fazer um parto domiciliar está muito bem informado sobre todos os riscos e complicações que possam acontecer. Aliás toda gestante deveria estar muito bem informada que toda gestação tem seu risco. 

Mesmo o parto realizado em casa sendo uma ocorrência comum antigamente, Caetano acredita que os tempos eram outros, Os tempos eram outros, não existiam recursos para atender uma emergência em casa. assim como o corpo e comportamento femininos. ”As mulheres não ficavam sentadas o dia todo, realizavam mais atividades físicas e não usavam roupas apertadas. Para tudo!!! A culpa é da LYCRA!!! E espartilho, não se usava??? Cadê evidência científica que o pseudo sedentarismo e as roupas apertadas dificultam um parto natural? Se fosse assim eu teria tido os três de cesárea minha gente! Não se justifica colocar mãe e filho em risco sendo que nos hospitais se pode fazer um parto humanizado.” Mas Dr., se ela tem uma assistência competente, que risco seria este? Quem sabe o risco de ter que acompanhar o parto por horas, ou não conseguir fazer uma cesárea sem indicação realmente necessária? Alias, quantos partos humanizados o Dr. em questão já acompanhou? Não estou falando de parto sem anestesia apenas. E as cesáreas sem agendadas não colocam a mãe e o bebê em risco? Por que elas são justificáveis?  

A opinião é compartilhada pelo pediatra Milton Macedo de Jesus, que destaca que os três primeiros minutos de vida são fundamentais para a criança. ”Se alguém pudesse garantir que a criança fosse nascer bem, ela poderia nascer em casa, mas se não nascer bem, ai é o problema”, destaca. ”Nesse momento tem que ter um profissional junto, não dá tempo de esperar porque isso pode significar sequelas graves e permanentes”, acrescenta. Quer dizer que não há nada no mundo que garanta que um bebê vai nascer bem? A OMS deve estar muito desatualizada… e além disso então podemos dizer que uma cesárea também não é garantia que o bebê vai nascer bem? Hum… Sem contar os lugares onde não existem médicos, vamos fazer o quê? Proibir as mulheres de engravidar?

O pediatra acredita que a escolha pelo parto domiciliar vem de países mais desenvolvidos, mas que a saúde no Brasil não permite que a prática seja comum por aqui. ”São países em que há uma retaguarda e um transporte de urgência imediato. O melhor local para uma criança nascer, no Brasil, é no hospital.” Ué… mas o outro falou que era um retrocesso, o senhor diz que é só em países desenvolvidos? Afinal, qual é o problema das mulheres brasileiras principalmente da rede particular que não estão mais conseguindo parir seus filhos? O físico delas não é mais ou menos desenvolvido, o que será que não desenvolveu o suficiente para que tenhamos o direito de escolher onde e como parir?

Macedo ressalta que não é a mesma coisa estar em casa com equipamentos do que estar no hospital, já que nem todos podem ser levados para a casa da parturiente. ”Não tem como fazer todos os atendimentos em casa. A mãe deve estar ciente de todos os riscos e decidir junto com os profissionais. Mesmo um pré-natal sem problemas não é garantia de que tudo vai dar certo. É algo para uma clientela diferenciada, restrito a poucas pessoas”, ressalta. (E.G) Quer dizer que a garantia que vai dar tudo certo está em você ter o bebê em um hospital? Sério mesmo? Olha que todos os médicos que conheço dizem que o pré-natal bem feito sempre foi um bom indicativo que está tudo bem com a mãe e com o bebê, e estando tudo bem é muito difícil algo dar errado. E se der errado, daria em casa ou no hospital. Parece você coloca seus pés para dentro do hospital e seus problemas acabaram!


Fica bem claro o que vem acontecendo nos últimos anos. Tiraram o parto das mulheres. A decisão não é mais delas. É de todo mundo (marido, mãe, pai, sogra, irmã, cunhado, tia vó, papagaio, periquito) que querem saber muito mais o que ela deve fazer que ela mesma. Além de terem a experiência de parto roubada ainda são expostas a riscos desnecessários (caso das cesarianas sem indicação clínica real) e querem desmoralizar quem se informa e vai atrás de tomar de volta o parto para si. Muitas mulheres acham cômoda essa posição de não se responsabilizar por nada do que acontece com seu corpo e com seu bebê. Infelizmente é assim. Cedem à pressão externa mesmo sem perceber, pensando que a convicção de escolher o mais arriscado era totalmente dela.

Eu conversei por vários minutos com a repórter sobre o assunto quando ela me ligou pedindo os contatos para as entrevistas. A Patrícia Merlin também conversou com ela vários aspectos que não só o conforto sobre o parto domiciliar. Mas os médicos entrevistados são contra (e deu para perceber que não se basearam em nenhuma evidência científica) e logicamente aproveitaram a deixa para falar que ter o filho em casa é uma loucura mesmo estando tudo bem. E com os médicos falando isso eu entendo perfeitamente que não teria como a reportagem escrever outra coisa.

Infelizmente aqui em Londrina os médicos são desencorajados a acompanharem partos domiciliares e não contamos com uma equipe de enfermeiras obstetras (ainda) que seriam os profissionais ideais para atender um parto em casa.

Mas pelo menos foi falado sobre o assunto. 

Otimismo, trabalhamos.

BjoS!!!

Relato do parto da Lais

O Sonho

Tive um sonho no começo do ano de 2010. Nele eu estava parindo num hospital e quando vieram me mostrar o bebê eu perguntei antes para o Daniel (meu marido) o que era? E ele falou que era uma menina! Eu não acreditei, abri o pano que ela veio enrolada e vi que era mesmo! Acordei dando risada, eu sempre imaginei que teríamos um terceiro filho, mas jamais que seria menina!

O negativo

Durante o carnaval tivemos a notícia que uma amiga nossa estava grávida. Eu comecei a sentir uns sintomas estranhos e a menstruação tava uns dias atrasada. Resolvi fazer um teste de farmácia que deu negativo. O motivo de eu desconfiar é que estava esquecendo  muito de tomar a pílula e o Biel estava meio que desmamando. Com isso eu sabia que mesmo tomando o remédio a chance de engravidar era mínima, mas existia. No outro dia pela manhã a mesntruação desceu. Era dia 17 de fevereiro.

O Positivo

Dia 04 de abril nós fomos na Expo Londrina, uma feira que tem aqui em Londrina todo ano. Eu ainda não sabia que estava grávida. Andamos, comemos um monte e na volta passamos no mercado. Eu não passei muito bem o dia todo e o marido só de rabo de olho pra mim. No mercado passamos pelo corredor que fica perto dos peixes e me deu uma ânsia terrível! Voltamos pra casa eu continuei meio “mareada” e o Daniel foi buscar outro exame de farmácia. Enquanto ele via o clipe do Tim Maia no You Tube eu vinha com o resultado na mão. Positivo. Ao fundo tocava “ A semana inteira, fiquei esperando, pra te ver sorrindo, pra te ver cantando…”. Eu fiquei muito feliz, ele mais assustado, o combinado era parar com a pílula em dezembro, mas em dezembro nosso bebê ja estaria por aqui. Com 13 semanas descobrimos o que o sonho já tinha dito, que era a Lais que estava vindo!

A gravidez, um susto.

Tudo tranquilo, com 20 semanas tive um susto, comecei a sentir contrações doloridas e num curto intervalo de tempo. Mas estava tudo bem, diminuí o ritmo e tudo voltou ao normal. Todos os exames ok. Lais até sorriu na fotinho 3D que o médico fez dela, enquanto isso eu ia elaborando mentalmente como seria o parto.

Planejando o parto.

A princípio a Patricia Merlin iria me doular, pensamos em um Parto Domiciliar, mas o tempo foi passando e sem ter uma equipe aqui em Londrina pra isso eu não estava mais confortável com a ideia. E apesar de estar tudo bem com a gestação e com a Lais eu sentia que o meu parto seria hospitalar, podem falar o que for, mas eu sentia isso sim. Então eu não estava criando mais muitas expectativas para um Parto Domiliciar. Se desse tinha dado e pronto. Se não eu não ia me estressar e iria pro hospital com alegria no coração hehe. Até porque confiança no meu GO eu tenho (agora mais ainda) de que ele iria me respeitar nos meus desejos de como eu queria que fosse o parto.

Como os partos anteriores foram bem rápidos e a Patricia mora em Maringá (cerca de uma horinha daqui) combinamos que a Lorena iria me acompanhar se a coisa ficasse meio The Flash. Lorena não é doula de formação, ela é fisioterapeuta e especialista em Yoga para Gestantes, e no curso de Yoga uma das coisas que se estuda é a doulagem, obviamente de um maneira menos profunda que em um curso de doula, mas eu sabia que ela estava preparada. Durante a gravidez eu li o livro Parto Ativo (foi a Lorena que me emprestou) e recomendo a todas que querem parir que leiam. Me ajudou muito!

O outro susto.

Com 34 semanas e 5 dias (mais ou menos) eu comprei as últimas coisas que faltavam pra Lais nascer. A menina é tão querida e abençoada (e nossos amigos tão amorosos) que nem era tanta coisa assim. Depois fomos ao mercado. Um dia antes comecei a sentir um desconforto lá dentro da… perereca (não tem como explicar de outro jeito) como se estivessem arranhando, e no mercado isso começou a aparecer novamente, mas de um jeito tão forte que eu tinha que parar de andar. Ligamos pro Dr. Alessandro que pediu pra me avaliar. Quando ele fez o toque, fez uma cara que pensei “ih, ferrô, tô dilatando”. E era bem isso, uns 3 cm e colo um pouco trabalhado, eu tinha um caminho: internar pra inibir.

Fiquei internada quase uma semana, e sinceramente foi bom para conhecer a equipe do hospital, ficar amiga das enfermeiras, conhecer o procedimento padrão deles, e de quebra ainda acompanhei o nascimento da Helena, filha da minha amiga Dani. Se estivesse em casa não conseguiria fazer repouso total. A Lais ainda não estava madura para estrear nesse mundão e quanto mais conseguíssemos manter ela dentro da barriga melhor seria!

Daniel se virou com os meninos, os três me encheram de orgulho cuidando da casa e deles mesmos.

Tem internet no hospital e isso foi ótimo pra eu não me sentir sozinha, já que o marido não poderia ficar comigo o tempo todo. Usei o MSN pra falar com o Biel na cam, até coraçãozinho com as mãos ele fazia hahaha!

Tive alta sábado dia 23/10 e viemos pra casa pra continuar a inibição com comprimidos. Os meninos continuaram me ajudando e consegui me manter em repouso. Mas na madrugada do dia 24 pra 25 o Biel passou mal com vômitos e o Daniel levou ele pro PS, eu estava com o intestino meio estranho, pensei que era por causa do antibiótico. No dia 25 Mateus passou mal a tarde e também ficou no PS a noite, e enquanto eles estavam lá (a essa altura Biel tava com diarréia também) eu passei mal e vomitei. Toda força que eu não fiz durante os dias de repouso vou “ti contá” que fiz naquela vomitada. Liguei pro Dr Alessandro que me passou o remédio pra eu tomar pra diarréia (intestino estranho é o caramba, eu tava com virose!). Mateus voltou (branco da cor da parede de casa) do PS e fomos todos domir. Marido ensaiava a virose também, mas começou a tomar o que eu tava tomando e eu acho que deu uma “segurada” hehe.

O Parto

Na madruga de 25 pra 26 eu senti algumas contrações, comecei a contar o tempo, não tinham ritmo e nem eram doloridas, desencanei e voltei a dormir. 9 da manhã eu senti outra vez. Ai comecei a contar, estavam de 5 em 5 minutos e bem fortinhas, durando bastante tempo cada uma. Cutuquei o marido e falei das contrações e ele imediatamente levantou rapidão e já começou a se vestir. Liguei pro GO que estava atendendo outra paciente, falei com a recepcionista (Tati, valeu! :D) que me pediu pra ir para o hospital que ele estava por lá mesmo. E lá fomos nós, antes de sair avisei a Lorena e ela também estava indo pra lá. Avisamos a Jana para vir aqui em casa pegar os meninos e fomos pro hospital.

10:15 Dei entrada pelo PS . Me levaram de cadeira de rodas pra maternidade, a princípio eu não queria isso, mas eu tava tão cansada, não tinha dormido bem, me sentindo meio fraca mesmo e não neguei a cadeira haha!

Chegando lá na ala da maternidade as enfermeiras todas sorrindo (ainda hehe) pra mim, perguntando se agora era a hora mesmo, eu tava tranquila entre uma contração e outra eu ia respondendo e conversando com elas enquanto o médico não chegava. Colocaram soro (SÓ SORO sem ocitocina nem nada) por causa da virose. No cardiotoco tudo ok, realmente as contrações estavam bem fortes e próximas uma da outra. Dr Alessandro chegou e fez o toque, 5cm de dilatação e colo totalmente apagado, Lais tava vindo com tudo! Isso que as 10 da manhã eu tomei a Inibina. Como eu ja disse antes o meu médico (Dr Alessandro, ou o GO :P) estava acompanhando outra paciente (e não sei não ser não eram mais duas, não lembro mesmo) então como eu tinha tomado o remédio as 10 lá pelas 3 da tarde era pra Lais chegar. Isso nas contas de qualquer mulher comum, não nas minhas. Eu sabia que ela tava vindo e era pra já. Mas né… eu queria era curtir o parto.

 

Curtindo o parto rs...

Vinha a contração eu respirava fundo controlava pra não lutar contra ela e ela ia embora. E assim foi. Fiquei ali na salinha de exames até me levarem pro quarto onde fiquei sozinha por causa da virose (bendita virose, me permitiu ficar no quarto sozinha mesmo tendo plano enfermaria). Antes ainda conversei com a Ângela, uma companheira de internação que também estava inibindo, ela era paciente do meu GO e tinha parido um dois dias antes de mim, uma fofa ela, foi me desejar boa sorte e me contar como foi o parto dela.

Assim que eu entrei no quarto a Lorena chegou com a bola, fiquei ali um tempo (a partir daqui eu não tive mais noção de tempo mesmo, as coisas simplesmente aconteciam) sentada, rebolando, respirando e… comecei a sentir o cheiro da comida do hospital.

– Ahhhh! Que cheiro de comida ruim!!!

Em menos de 3 segundos o Daniel ja tinha me trazido o lixo pra eu vomitar haha! Tá esperto o marido! Me deram um Dramin na veia que doía mais que a contração.

 

Cheiro de comida ruim...

O Dr Alessandro voltou e fez mais um toque, estava com 6cm, só que eu tive que deitar pra fazer o toque e isso não é legal. Começou a doer muito cada contração e o máximo que consegui fazer foi me virar pro lado esquerdo pra não ficar de barriga pra cima. E tava doendo muito (uma enfermeira veio me perguntar se tava doendo muito BEM no meio de uma contração), a Lorena fazia massagem de uma maneira tão gostosa, aliviava muito! Sempre me lembrando quando respirar e como respirar, meu Deus como isso ajudava! Daniel e ela se revezavam na massagem nas costas e na compressa de água gelada na testa, as vezes eu pegava a compressa e mordia, outras eu torcia, batia na parede (hahaha, isso foi algo que eu não esperava mas bater na parede aliviava a dor). Eu sabia exatamente quando era um e outro que me tocava, mesmo com os olhos fechados. Lorena se ocupou também em reduzir a luz, o braulho e movimentação no quarto.

Nessa hora eu só pensava em uma coisa:

– Eu não posso ficar nessa posição, preciso mudar!

Lorena fazendo massagem

Vomitei outra vez (sim, tenho estômago fraco) mas nem pra vomitar eu consegui sair da posição que eu estava!

Chegaram a preparar o chuveiro pra me aliviar, mas eu não conseguia sair da cama.

Assim que terminava uma contração começava a outra. Foi bem difícil essa parte. Até que comecei a conversar com a Lais:

– Filha, vem logo, vamos acabar com isso de uma vez. Mamãe tá fazendo a parte dela, aguenta firme, já vai acabar. Eu não escutei mas percebi o Daniel orando por mim, me senti tão amparada nessa hora, e me deu uma tranquilidade muito grande, consegui dar uma descansada, desconfio eu que estava em transição porque foi um alívio enorme!

E até que enfim consegui levantar, fiquei nos pés da cama em 4 apoios com vários travesseiros embaixo de mim, engraçado que eu imaginava mesmo que iria parir assim, por causa da escoliose essa é uma posição ótima pra descansar e por outro lado dá bastante firmeza que eu acho que não teria se estivesse de cócoras, e da maneira que estava não daria para fazer cócoras sustentada porque o marido não conseguiria subir na cama e muito menos eu conseguiria descer!

E começaram os puxos! O GO não tinha voltado ainda, foi uma correria! Eu tinha muita vontade de gritar, e gritei! Isso fez com que o quarto ficasse branco de enfermeiras, eu entendo o lado delas, mas me tiraram completamente a concentração!

A Enfermeira mandou vir uma maca pra me levarem pra Sala de Parto, só que o combinado era que eu NÃO iria pra lá! Entre uma contração e outra eu gritava e tentava explicar que eu já tinha combinado com o GO que eu teria o bebê no quarto. A mesma pessoa me falou pra não gritar (e aí que eu gritei mais forte ainda, só de birra mesmo) e que era pra eu segurar porque o pediatra que eu tinha escolhido não tinha chego ainda. Pois é, noção de Parto Ativo nenhuma. Eu entendo que ela estava preocupada com a Lais, porque ela foi prematura, mas eu me limitei a perguntar:

– Mas querida, não tem NENHUM pediatra nesse hospital??? Chama o que tiver!!! Eu não consigo segurar!

Depois ela veio com umas de Kit pra Episio, eu até queria argumentar, mas não deu.

E meu  marido já foi se esquentando falando que se ela mandasse eu parar de gritar de novo ele ia começar a gritar também (pelo menos desviou ela de falar comigo, na boa, tava atrapalhando) e nisso o Dr Alessandro chegou esbaforido, veio correndo pela escada (tem como não amar um médico que vem correndo te ajudar no seu parto?) eu quaaaase ri na hora porque ele tava respirando mais que eu, mas as contrações não me deixaram demonstrar o meu bom humor haha! Ele gentilmente tirou todas as enfermeiras do quarto.

Ficaram Eu, Daniel, Lorena, ele e o pediatra do hospital (Dr Akira se não me engano).

E aí os puxos (vontade de fazer força) aumentaram e a Lorena me lembrou de algo bem importante relacionado a respiração, ela veio bem no meu ouvido e falou baixinho:

– Faz a força no final da expiração. E me abraçava.

O Daniel ficou apoiado na parede (coitada da parede haha) com o braço esticado pra eu me apoiar, fez força junto comigo.

Nisso o Dr Alessandro perguntou se eu não conseguia ficar mais vertical, e eu não consegui. Não tinha como, eu precisava ficar de 4 mesmo. Ele falou que não fazia mal, fiquei do jeito que me senti melhor.

A bolsa estourou, por pouco a Lais não me nasce de bolsa e tudo!

E as dores começaram a diminuir, e a vontade de fazer força aumentar. Comecei a sentir arder tudo (acho que que se existe o tal “círculo de fogo” deve ser isso aí mesmo) e fiz mais uma força, o Dr falou:

– Ela já está aqui!

Isso me deu uma emoção tão engraçada que parece que parou tudo, eu perguntei:

– Posso pegar na cabecinha dela?

E peguei, e quando eu vi que ela estava realmente ali eu fiquei revigorada, comecei a fazer a força quando tinha vontade e no fim da expiração como a Lorena falou, eu acho que foram mais 3 forças e ela saiu, eu senti ela escorregar toda quentinha, essa sensação que eu não tive em nenhum dos outros partos por causa da anestesia!

Eram 12:58 do dia 26/10/2010!

O Dr Alessandro me passou ela pelo meio das minhas pernas e deixou ela deitadinha, eu logo peguei ela no colo e só sabia dizer que ela era gordinha, linda, parecida com o Biel, cabeludinha, e ela chorou pra mim! Me tranquilizou! Era como se ela dissesse que estava tudo bem, que tínhamos conseguido, que o sonho que eu tive agora era real! Aquele cheirinho de bebê que acabou de sair da gente! Olhei pra Lorena e disse, eu consegui!

:~)

O GO esperou o cordão parar e cortou, entregou a Lais para o Pediatra que levou ela para os primeiros cuidados (como ela era prematura eu nem questionei nada, ela foi mesmo ter todos os cuidados “padrão”, mas o Daniel foi com ela e falou que o Dr foi um anjo, que tratou ela com respeito). Ela teve Apgar 9 e 10!!!

Enquanto Lais foi com o pediatra ficamos eu a Lorena e o Dr Alessandro esperando a placenta, que saiu bem rapidinho até, me levaram pra sala de exames pro GO avaliar se tinha lacerado e se precisava de pontos, não precisou!

Como o pediatra da Lais não conseguiu chegar a tempo (estava se preparando pra chegar as 3 da tarde) ele por telefone pediu que ela ficasse em observação no berçário. Colocaram ela numa incubadora onde ela tacou o terror arrancando a tornozeleira de identificação, “mamando” na máscara de oxigênio, o pai sempre do ladinho dela.

Assim que consegui levantar, comer, tomar banho eu fui lá pra ficar com ela e só desgrudei pra ligar pro Pediatra pra ver se ele liberava ela pro alojamento conjunto, e ele liberou, no fim da tarde eu estava com ela no quarto, insistindo pra ela mamar e ela começou a sugar a noite. Era o único bebê que estava mamando, nem os que nasceram a termo estavam mamando! Ela chegou a tomar complemento de leite humano no berçário, mas assim que chegou no quarto foi só o da mamãe mesmo! Meu leite desceu em 2 dias, tivemos alta e viemos pra casa, ela é uma fofa!

Nós de alta

Sobre tudo isso e mais…

Se você quer parir precisa SE preparar pra isso. Ler sobre o parto, de preferência ter um doula! Eu diria que é essencial ter uma!

Deve procurar um profissional (médico ou parteira) que realmente te respeite e não ache bobagem ou “perfumaria” os seus desejos sobre o seu parto.

Você pode idealizar, imaginar como vai ser, mas a grande verdade é que é uma experiência surpresa! E vai ser melhor do que você imaginava.

Parir dói, pra mim doeu, mas como já disse até o Dramin na veia tava doendo mais, sofrer por causa das dores ou se deixar levar por elas é uma opção sua.

Eu tive o parto do meu sonho, e o parto que eu sonhava.

BjoS!

Prazer no Parto

Será que é possível?
Segundo vários especialistas é sim!
Eu recomendo a leitura da “Cartilla para aprender a dar a luz” da parteira Consuelo Ruiz Vélez-Frías, e o filme “Orgasmic Birth“.
Aqui vai um video de uma francesa tendo o filho dela e sorrindo!

Indico novamente o blog da Renata Fisiodoula. E o blog da Parto do Princípio.

Espero que as mulheres consigam resgatar o prazer em parir, ou pelo menos desmistificar a cultura do medo do parto normal.

BjoS!

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