Matéria sobre Parto Domiciliar na Folha de Londrina

Pois cada vez que fazem alguma entrevista relacionada com a humanização do parto pensamos sempre pelo lado bom. Vendo pelo lado bom as pessoas sabem que a opção existe, que os casos tiveram êxito, acabam se conscientizando que se tiver a assistência adequada (e não necessariamente médica, uma enfermeira obstetra ou obstetriz + pediatra por exemplo) e sendo uma gestação bem cuidada no pré-natal e de baixo risco é totalmente possível, viável e recomendável ter o bebê em casa.

Mas saiu uma matéria na Folha de Londrina que é impossível eu ficar quieta…

Não, não estou aqui para brigar. Estou aqui para argumentar. E vou fazer isso no maior estilo Madrasta do Texto Ruim, minha musa inspiradora!

Em roxinho quem fala sou eu, tá?

Perigo ou conforto?

Enquanto cresce o interesse pelo parto domiciliar, médicos alertam sobre os riscos.

Tá, sério mesmo que vocês estão comparando desta maneira? Já começou mal… Parto domiciliar não é uma questão apenas de conforto e se for bem planejado e assistido não há perigo nisso!  Perigo foi demais. Alertar sobre os riscos das cesáreas ninguém quer também né?

Para ter Surya em casa, Fernanda Rocha fez todo o pré-natal corretamente e não apresentava nenhum problema que inviabilizasse o procedimento. 

Ter o bebê no aconchego do lar, acompanhada do marido e familiares parece cena de filme antigo, mas é uma opção adotada por muitas mamães modernas. Obstetras e pediatras, no entanto, têm ressalvas quanto ao procedimento.  Nem todo obstetra e nem todo pediatra. Procedimento? Assistência ao parto seria o mais adequado. Eles não querem dar assistência ao parto domiciliar, certo? Mas tudo bem, vamos continuar.

A empresária Fernanda Alves de Sousa Rocha já tinha visto um programa sobre parto natural há alguns anos e quando ficou grávida da pequena Surya, hoje com pouco mais de 7 meses, voltou a pensar no assunto. ”Tenho também uma amiga que participa do grupo Gesta, de Londrina e ela me deu informações, mas só comecei a pensar em ter meu bebê em casa aos oito meses de gestação.” Já era um desejo dela ter a opção de escolha de ter a bebê em casa, isso há anos. Agora ela queria colocar isto em prática.


Ela conta que teve que mudar de obstetra, já que o primeiro se opunha ao parto domiciliar. O segundo profissional a apoiou e orientou sobre o que deveria ser feito para que o parto ocorresse em casa. ”O parto é familiar é amor puro. Obstetra este que não participa da reportagem (nem a pediatra). Mais abaixo na matéria podemos ver claramente o motivo. Participaram apenas meu marido, meus pais e minha sogra, além da doula, do obstetra e da pediatra. Acredito que a cabeça manda no corpo e por isso não tive medo.” A cabeça manda no corpo, gostei! Quer dizer que foi uma decisão RACIONAL. Foi pesquisado, pensado.


Para ter Surya em casa, Fernanda fez todo o pré-natal corretamente e não apresentava nenhum problema que inviabilizasse o procedimento. ”Ela estava posicionada corretamente, não tinha o cordão enrolado no pescoço.” Parto de baixo risco. Ok.


Ela conta que nem todos receberam a notícia com tranquilidade. Sua mãe, que passou por um parto complicado justamente no nascimento de Fernanda, se assustou com a escolha da filha. ”Eu nasci com o cordão enrolado no pescoço, foi bem complicado. Depois que expliquei como tudo aconteceria ela acabou aceitando. Já meu pai recebeu melhor a notícia.” Eu não sei ao certo como foi o nascimento da Fernanda, mas cordão enrolado no pescoço é algo comum e não inviabiliza parto. Mesmo que muitos obstetras deem esta desculpa ou outras como o cordão estava PERTO do pescoço.


No dia do parto a única solicitação do obstetra foi que ela fosse ao hospital fazer um exame para avaliar os batimentos cardíacos do bebê. ”Eu fui e voltei correndo para que ela nascesse em casa. O obstetra trouxe material para primeiros socorros e sutura, anestesia e aparelhos para medir batimentos cardíacos. A pediatra que acompanhou o parto também trouxe balão de oxigênio e sondas.” Ou seja, nada igual ao parto de antigamente onde não se tinha nenhum recurso!


Fernanda conta que o trabalho de parto começou na manhã do dia 31 de julho e durou 10 horas. ”Meu marido cortou o cordão umbilical. Ela mamou logo após o parto, foi tudo muito tranquilo.” Foi tranquilo? Que milagre!!! Porque poderia tanta coisa ter dado errado que num hospital não daria né? Oh wait… no hospital também dá muita coisa errado não é mesmo? Como infecções hospitalares, intervenções desnecessárias, e cesarianas desnecessárias por pressão do médico E da família. Sem falar da violência obstétrica e algumas humilhações por parte da equipe que muitas mulheres passam.


O estilo de vida da família contou bastante na decisão da empresária. Ela e o esposo já levavam uma vida natural, são vegetarianos, prezam alimentação saudável, gostam de acampar e ter vida ao ar livre e raramente recorrem aos medicamentos alopáticos, priorizando a medicina chinesa. ”Minha gestação foi tranquila, isso possibilitou fazer o procedimento. Cada caso é um caso e o apoio familiar é muito importante.” Aqui parece, só parece, que parto domiciliar é coisa de “bicho-grilo” hippie ou coisa parecida. Sinto muito informar mas muita gente “urbana” que se entope de Mc Donalds e toma Coca-Cola (e usa calça apertada rs) tem optado por ter seus filhos em casa, e olha só… tem conseguido!!!


Atendimento domiciliar em três cidades

Patrícia Merlin, doula e educadora perinatal em Maringá (Noroeste), já acompanhou alguns partos domiciliares. Ela mesma teve dois de seus três filhos em casa e acredita que isso faz toda a diferença na hora de dar à luz. Patrícia é coordenadora do Gesta 🙂 O blog dela é o A Bolsa da Doula. Não só acredita como tem certeza! O primeiro foi cesárea e as outras duas parto domiciliar.

”O parto domiciliar ainda não é frequente. Tem muita mulher que quer, depois percebe que não é tão simples e desiste no meio do caminho. No Paraná temos atendimento domiciliar em Cascavel, Curitiba e Maringá. Nesses locais já se conta com uma equipe.Equipe! Não é nada feito por acaso! Em Londrina tivemos duas experiências, mas é difícil achar quem atenda em casa”, reconhece. Entenderam? Não é todo mundo que pode nem todo mundo que quer, mas quem quer deveria ter no mínimo a vontade respeitada e uma assistência digna!

Para a doula, a intimidade e o conforto que a mulher tem em casa são fundamentais para seu estado emocional na hora do parto. ”Ela pode ficar do jeito que quiser, no local que quiser. No hospital ela fica restrita ao quarto, que em geral é pequeno.” No hospital vai ter sempre alguém pra ficar entrando no seu quarto e tirando a sua concentração e privacidade. Pra perguntar se já está doendo com aquela cara de: por que não vai logo para a cesárea e desocupa o quarto? Sempre vai ter alguém acendendo a luz, entrando sem bater à porta, e finalmente desencorajando e te chamando de corajosa (na verdade querendo dizer louca) por ter escolhido um parto natural. Experiência própria e de muitas outras mulheres, sim, aqui em Londrina.

Patrícia afirma que é necessário também haver uma assistência médica para que a mulher se sinta segura. ”A doula não é uma parteira. Ela dá apoio para a mãe e para o marido, é alguém que vai apoiar a família durante o processo, mas qualquer intervenção, mesmo simplesmente medir a temperatura, deve ser feita por uma enfermeira ou um médico.” Mais uma vez, assistência digna.

Nos seus quase 10 anos como doula, ela nunca presenciou intercorrências graves nos partos domiciliares. ”Já tivemos uma mãe com um trabalho de parto prolongado e também uma outra que acabou pedindo para ir para o hospital para fazer a analgesia, mas não porque houvesse um problema.” Estava tudo bem, uma demorou um pouco mais e a outra foi pro hospital por vontade própria (que foi respeitada, o que não aconteceria num hospital por exemplo se a mulher quisesse ficar em pé e MANDAM ela ficar deitada…).

A profissional ressalta que no parto domiciliar, embora seja permitido a presença de quem a gestante quiser, é melhor que seja restrito apenas ao marido, equipe de apoio e filhos. ”Já tivemos uma situação em que a mãe da gestante interferiu tanto que a mulher desistiu e acabou fazendo uma cesárea”, conta. Concordo plenamente! O parto é da mulher! A vontade dela deve ser respeitada. Nenhuma que eu conheço iria contra uma intervenção necessária. Só queremos um pouco de respeito nas nossas decisões. Na realidade precisamos de apoio também, mas se você não pode dar o apoio fique longe!

Mesmo com a equipe levando vários aparelhos e suportes que mãe e bebê teriam no hospital, a parturiente também precisa estar ciente dos riscos e pronta para assumir a responsabilidade sobre o que vier a acontecer no parto. ”Mulheres com gestação de risco não podem fazer parto domiciliar, nem mesmo quem teve alteração de pressão durante a gravidez.” O atendimento domiciliar tem um custo, que leva em conta o número de profissionais, a experiência da equipe e também o município. Segundo ela, o valor varia entre R$ 1 mil e R$ 10 mil. (E.G) Mais uma vez… não é para todas as mulheres! Isso acho que ficou muito claro, não é?

‘O melhor local é no hospital’

O ginecologista e obstetra Antônio Caetano de Paula, presidente da Associação Médica de Londrina, acredita que fazer um parto em casa seria o mesmo que ir a São Paulo a cavalo. ”Só se justifica se for tão rápido que não dê tempo de chegar ao hospital. As pessoas encaram o parto como uma festividade e não como um procedimento médico”, observa. Desculpa Dr.. O parto é sim uma festividade. E não é um procedimento médico. Assistência ao parto sim, é um procedimento médico ou da enfermeira obstetra/obstetriz. Mas eu acho que o senhor nunca pariu nenhum dos bebês das suas pacientes, não é mesmo? Parir é um ato da mulher! O senhor só conseguiu deixar claro como encara o parto das suas pacientes. Como uma doença como outra qualquer que o médico está ali para curar. Não, o parto não é isso! E se eu quiser ir para São Paulo a cavalo? Se eu tiver condições físicas para isso e quiser aproveitar a paisagem, não posso? E se para me ajudar no caminho eu usar um GPS? Qual o problema em se usar a tecnologia a favor do conforto da mãe na hora do parto?

Eu rezaria mesmo para que meu parto fosse bem rápido se eu estivesse com um médico que pensa assim. Pelo menos não daria tempo de se fazer a maioria das intervenções “padrão” de um parto hospitalar.

De acordo com o obstetra, os problemas podem ocorrer com qualquer pessoa, mesmo com aquelas mulheres que fizeram o pré-natal corretamente. ”Em alguns casos não há tempo de chamar uma ambulância. O parto é um momento de alegria mas há riscos”, resume. O mesmo acontece com as cesáreas desnecessárias. Que aliás apresentam riscos maiores e isso não é impedimento para que elas continuem sendo feitas sem ao menos se informar a paciente sobre isso. Pelo menos quem escolhe fazer um parto domiciliar está muito bem informado sobre todos os riscos e complicações que possam acontecer. Aliás toda gestante deveria estar muito bem informada que toda gestação tem seu risco. 

Mesmo o parto realizado em casa sendo uma ocorrência comum antigamente, Caetano acredita que os tempos eram outros, Os tempos eram outros, não existiam recursos para atender uma emergência em casa. assim como o corpo e comportamento femininos. ”As mulheres não ficavam sentadas o dia todo, realizavam mais atividades físicas e não usavam roupas apertadas. Para tudo!!! A culpa é da LYCRA!!! E espartilho, não se usava??? Cadê evidência científica que o pseudo sedentarismo e as roupas apertadas dificultam um parto natural? Se fosse assim eu teria tido os três de cesárea minha gente! Não se justifica colocar mãe e filho em risco sendo que nos hospitais se pode fazer um parto humanizado.” Mas Dr., se ela tem uma assistência competente, que risco seria este? Quem sabe o risco de ter que acompanhar o parto por horas, ou não conseguir fazer uma cesárea sem indicação realmente necessária? Alias, quantos partos humanizados o Dr. em questão já acompanhou? Não estou falando de parto sem anestesia apenas. E as cesáreas sem agendadas não colocam a mãe e o bebê em risco? Por que elas são justificáveis?  

A opinião é compartilhada pelo pediatra Milton Macedo de Jesus, que destaca que os três primeiros minutos de vida são fundamentais para a criança. ”Se alguém pudesse garantir que a criança fosse nascer bem, ela poderia nascer em casa, mas se não nascer bem, ai é o problema”, destaca. ”Nesse momento tem que ter um profissional junto, não dá tempo de esperar porque isso pode significar sequelas graves e permanentes”, acrescenta. Quer dizer que não há nada no mundo que garanta que um bebê vai nascer bem? A OMS deve estar muito desatualizada… e além disso então podemos dizer que uma cesárea também não é garantia que o bebê vai nascer bem? Hum… Sem contar os lugares onde não existem médicos, vamos fazer o quê? Proibir as mulheres de engravidar?

O pediatra acredita que a escolha pelo parto domiciliar vem de países mais desenvolvidos, mas que a saúde no Brasil não permite que a prática seja comum por aqui. ”São países em que há uma retaguarda e um transporte de urgência imediato. O melhor local para uma criança nascer, no Brasil, é no hospital.” Ué… mas o outro falou que era um retrocesso, o senhor diz que é só em países desenvolvidos? Afinal, qual é o problema das mulheres brasileiras principalmente da rede particular que não estão mais conseguindo parir seus filhos? O físico delas não é mais ou menos desenvolvido, o que será que não desenvolveu o suficiente para que tenhamos o direito de escolher onde e como parir?

Macedo ressalta que não é a mesma coisa estar em casa com equipamentos do que estar no hospital, já que nem todos podem ser levados para a casa da parturiente. ”Não tem como fazer todos os atendimentos em casa. A mãe deve estar ciente de todos os riscos e decidir junto com os profissionais. Mesmo um pré-natal sem problemas não é garantia de que tudo vai dar certo. É algo para uma clientela diferenciada, restrito a poucas pessoas”, ressalta. (E.G) Quer dizer que a garantia que vai dar tudo certo está em você ter o bebê em um hospital? Sério mesmo? Olha que todos os médicos que conheço dizem que o pré-natal bem feito sempre foi um bom indicativo que está tudo bem com a mãe e com o bebê, e estando tudo bem é muito difícil algo dar errado. E se der errado, daria em casa ou no hospital. Parece você coloca seus pés para dentro do hospital e seus problemas acabaram!


Fica bem claro o que vem acontecendo nos últimos anos. Tiraram o parto das mulheres. A decisão não é mais delas. É de todo mundo (marido, mãe, pai, sogra, irmã, cunhado, tia vó, papagaio, periquito) que querem saber muito mais o que ela deve fazer que ela mesma. Além de terem a experiência de parto roubada ainda são expostas a riscos desnecessários (caso das cesarianas sem indicação clínica real) e querem desmoralizar quem se informa e vai atrás de tomar de volta o parto para si. Muitas mulheres acham cômoda essa posição de não se responsabilizar por nada do que acontece com seu corpo e com seu bebê. Infelizmente é assim. Cedem à pressão externa mesmo sem perceber, pensando que a convicção de escolher o mais arriscado era totalmente dela.

Eu conversei por vários minutos com a repórter sobre o assunto quando ela me ligou pedindo os contatos para as entrevistas. A Patrícia Merlin também conversou com ela vários aspectos que não só o conforto sobre o parto domiciliar. Mas os médicos entrevistados são contra (e deu para perceber que não se basearam em nenhuma evidência científica) e logicamente aproveitaram a deixa para falar que ter o filho em casa é uma loucura mesmo estando tudo bem. E com os médicos falando isso eu entendo perfeitamente que não teria como a reportagem escrever outra coisa.

Infelizmente aqui em Londrina os médicos são desencorajados a acompanharem partos domiciliares e não contamos com uma equipe de enfermeiras obstetras (ainda) que seriam os profissionais ideais para atender um parto em casa.

Mas pelo menos foi falado sobre o assunto. 

Otimismo, trabalhamos.

BjoS!!!

O dia em que doulei minha doula

Vocês já leram o relado do parto da Lais? Se não, ele está aqui.

A Lorena eu conheci quando começamos o GestaLondrina. Ela dava aulas de Yoga onde realizávamos as reuniões. Lembro de ter pensado: puxa! Que pessoa legal! E a primeira impressão foi a que ficou.

Numa das reuniões nós falamos do desejo que tínhamos de um dia sermos doulas. E combinamos assim: eu ia engravidar e ela ia me doular (afinal ela é fisioterapeuta e professora de Yoga) e depois ela ia engravidar e eu ia doular ela. Nada de contrato assinado, mas muitas vezes o que a gente fala passa um anjo e diz amém (como dizia a minha vó).

E não é que um tempo depois eu tava grávida? Nem foi tanto tempo assim depois do nosso “combinado”. Se eu fosse ter em casa eu chamaria a Patricia Merlin pra me atender. Ela tem experiência nisso, mas no fundo eu queria mesmo que a Lorena estivesse comigo, então na minha cabeça quem sabe eu chamasse as duas hehe. Quando a Lais começou a dar sinais que ia nascer antes, o parto domiciliar foi por água abaixo e eu tive mais certeza ainda que seria a Lorena a me doular.

E ela foi perfeita!  Eu ainda lembro que eu sabia exatamente quando era ela e quando era o Daniel que estavam fazendo massagem em mim, lembro dela falando comigo, me lembrando de respirar, de me entregar na hora das contrações.

Mas não sabíamos de um detalhe no dia em que a Lais nasceu (há exatos 8 meses). Lorena estava grávida de poucas semanas da Cecília :D!

Quando eu soube da gravidez fiquei aqui torcendo pra ela me chamar pra doular, porque eu realmente precisava retribuir o amor que ela me dedicou. Foi muito importante ter ela por perto!

A Cecília também quis apressar, mas a Lorena conseguiu deixar ela mais tempo na casinha, na terça feira dia 21/06 ela parou de tomar a medicação para inibir o parto e ficamos em estado de espera hehe.

No feriado do dia 23 eu fomos passear em Presidente Prudente, se qualquer coisa acontecesse com a Lorena e ela me ligasse, voltaríamos correndo. Dá mais ou menos uma hora e pouco daqui. Ela não me ligou, na volta eu tava vendo as fotos que tiramos no passeio e tinha uma da visita que fiz pra ela. Olhei pra carinha da Lo e pensei: Bem que a Cecilia poderia nascer já, né?

Voltamos pra casa, eu tava fazendo um cachorro quente e arrumando as coisas quando toca o telefone. Eu imediatamente pensei que fosse ela.

– Má, minha bolsa rompeu. Mas eu to tranquila. Vou ligar pro Dr. Alessandro e ver o que ele vai fazer.

– Ok, sem pressa. Qualquer coisa me liga.

Isso era mais ou menos umas 8 e meia da noite.

No próximo telefonema ela me falou que o médico (que aliás foi quem acompanhou o parto da Lais) iria internar mesmo por conta da bolsa rota, mas que ela só ia pro hospital depois que acabasse a novela.

Fui ajeitando as coisas, fiquei pronta pra sair, embora ela tenha me dito que não ia precisar de mim agora porque ela não estava ainda em trabalho de parto.

Todos aqui dormiram, e eu fui descansar também. Acordei la pelas 7 da manhã toda desesperada, pensando meldels já nasceu! Pensa na pessoa esbaforida sem conseguir nem abrir o olho ainda procurando o celular… pensou? Hehe, aí me deparo com uma mensagem dela as 4 da manhã pedindo pra eu ir pro hospital porque não tava fácil. Gelei. Esqueci de avisar que eu não acordo com toque de mensagem! Liguei pra ela e fui tranquilizada hehe. Na verdade foi o seguinte, ela internou e ia tomar uma dose de antibiótico. Ela não estava em trabalho de parto, somente com a bolsa rota. De 15 em 15 minutos entrava uma enfermeira no quarto pra perguntar “ta doendo muito mãe?” “já tá com dor?” sendo que nessa hora específica ela deveria DORMIR! Ela me queria lá pra ela poder descansar :D.

Sendo assim, dei um mamá pra Lais e fui pra lá. Ela estava super bem, fui mesmo pra ela sentir que eu estava presente, e pra reclamar com o médico desse tipo de atitude das enfermeiras. Não são todas que são assim, mas bastam uma ou duas pra tirar a paz. Quando conseguia ela dormia um pouco.

Conheci lá uma bisavó que foi visitar o bisnetinho recém nascido. As enfermeiras do dia já respeitavam muito mais! Foi um sossego.

As contrações estavam bem irregulares. O médico examinou e fez um toque, estava mais ou menos com uns 4 cm (ela havia internado com 1cm e pouco) e o colo estava trabalhando. Os exames que ela fez estavam todos bons. Tudo caminhando pra um parto natural como ela queria. Mas o trabalho de parto não tinha começdo ainda, estava bem na fase latente. Aproveitei pra passar em casa pra almoçar dar almoça pras crianças, amamentar a Lais e descansar um pouco. Quando foi umas 4 e meia eu liguei pra saber se estava tudo bem e o marido dela falou que sim, mas que alguma coisa estava diferente. Amamentei a Lais de novo e fui para o hospital.

Chegando lá vi o Juliano do lado de fora do quarto, ele me falou que a Lorena queria ficar um pouco sozinha. Entrei no quarto devagar e estava tudo na penumbra, ela fazendo exercícios na bola e dançando. Uma coisa que eu achei intenressante é que a Lorena de costas nem parecia grávida hehe! E assim ela ficou, bola, chão, cama. De vez em quando ela cochilava um pouco. O Dr. Alessandro fez mais um toque e estava com 5 pra 6 de dilatação. Senti que pra Lorena foi meio frustrante, mas o que me acalmava foi que eu chegueii exatamente assim no hospital, com contrações super suportáveis e com 5 pra 6 de dilatação e em poucas horas a Lais nasceu. Mas como cada parto e cada mulher é diferente eu focava em dizer pra Lorena não criar expectativas, que ela dilatou em menos de um dia o que eu havia demorado uns 2 dias para dilatar e que era pra ela descansar. Fiz massagem nos pés, conversei com ela bastante tentando deixar o humor dela bom. Aliás, ela não perdeu o bom humor :D.

Nessa fase ela precisava ficar sozinha, então eu e o Juliano agíamos como se não estivéssemos ali, eu só me manifestava quando alguma enfermeira ia no quarto. Geralmente elas vem falando direto com a parturiente, e isso não é legal. Mas depois elas sempre se dirigiam a mim ou ao Juliano. O que mais “matava” era a mulher da copa. Jesusmariajosé todos os santos! Ela entrava sem pedir licença, sem bater a porta. E ia falando alto, acendendo luz… pff.

Nessa hora eu pensei, nossa, acho que a Lo nem vai precisar tanto de mim, ela quer mais ficar sozinha mesmo. Ledo engano! As contrações começaram a ficar mais efetivas, logo que o Dr. saiu do hospital (pra variar…). E eu percebia um ritmo. Comecei a anotar no laptop cada horário de cada contração. Elas vinham de 3 em 3 minutos, as vezes de 2 em 2 e entre umas 5 dessas  muitas vezes tinha um intervalo de 4 minutos. Pensei comigo… ela vai nascer no dia de S. João, não vai ser S. Guilherme. Eu e o Juliano revezávamos nas massagens, ele foi buscar um lanche pra gente. Quando ele voltou com o lanche a Lorena pediu Coca, ela tava com fome! Hehe! A gente deu ué, tava liberada dieta líquida! Ela não conseguiu comer a sopa da janta, mas comeu a gelatina. Foi dada mais uma dose de antibiótico por causa da bolsa rota.

Ela pediu pra ir pro chuveiro, e foi. Eu liguei pro Daniel pra ele me trazer a Lais pra eu amamentar naquela hora (eram umas 8 e meia) porque depois provavelmente eu não poderia mais sair do quarto. Ele demorou um pouco ainda pra vir, e eu fiquei lá no chuveiro com a Lorena.

Nessa hora ela me olhou:

– Má, essa mulherada é tudo louca! (E dava risada!)

– É, eu sei. Pensei a mesma coisa no parto da Lais :D. Inclusive eu tinha um plano Lo. Eu ia chegar em uma reunião do Gesta e falar: Olha gente, bobagem essa coisa de parto natural! Esqueçam! Vão lá e marquem cesarea! Dói muito gente! Esse era o meu plano.

– Sério Má???

– Seríssimo!!! É normal você pensar assim viu? Nem se sinta mal por isso!

E rimos muito nessa hora!

O Daniel estava lá na porta do hospital com a pituquinha. Falei pra Lorena que ia descer e logo voltava, desci correndo, antes avisei as enfermeiras que eu ia voltar caso o segurança invocasse de não me deixar subir.

Pausa para momento coruja

As enfermeiras do hospital me conhecem porque eu fiquei um tempo internada inibindo o parto e depois por eu ter tido a Lais no quarto. Todas querem ver foto da pituquinha! KKK

Despausa para momento coruja

Desci, a Lais no bebê conforto, nem tirei ela de lá, ja tirei os peitos pra fora e ela mamou os dois em tempo recorde! 10 minutos! No total fiquei uns 20 minutos lá embaixo no máximo. Dei tchau pra Lais fofa, um beijinho no marido e subi correndo!

O bicho tava pegando. As contrações aumentaram muito! E com intervalos cada vez menores. Lembro de ter falado que se continuasse assim ligariamos para o médico. De repente a Lorena fala:

– Má do céu, to na transição, to me tremendo toda!!!

E era verdade, Cecília estava chegando gente, e a mãe dela totalmente consciente disso! Foi lindo! Nessa hora eu só afagava a Lorena, não parecia que ela era minha amiga, o sentimento que eu tive foi que eu era mãe dela, sei lá. Muito doido isso!

E começaram os puxos, e eu pedi pro Juliano ligar pro Dr. Alessandro. Ele falou comigo que estava vindo e ia pedir um cardiotoco enquanto isso. Eu lembro de rir e pensar, não vai dar tempo!

Me deu um click na hora, pedi pra Lorena subir na cama e ficar em 4 apoios (porque isso faz com que a descida do bebê desacelere um pouco) e pedi pra ela pra eu tirar a calcinha e ver como estava. Estava quase coroando :D!

Chamei a enfermeira porque eu não tenho experiência em aparar bebês hehe. Falei pra ela ficar ali comigo de prontidão até o Dr. chegar. Eu estava muito emocionada, e quando fico um pouco nervosa tenho a (péssima) tendência de rir. E eu ri não sei do que a Lorena disse, e ela respondeu: Não é graça Má… mas todo mundo achou graça, viu Lorena??? Ae eu fiquei bem séria e falei, é mesmo, não tem graça! 😀

Pedi pro Juliano ligar de novo pro Dr. Alessandro, avisando que realmente a bebê estava nascendo. Mesmo assim as enfermeiras vieram com o cardiotoco pra fazer kkkk! Eu nem acredito nisso quando eu lembro. É mais ou menos assim, se o médico mandou elas fazem, mesmo se o paciente morrer eu acho, elas vão lá e fazem! Mas aí ele chegou e ficou tudo mais tranquilo. Mudamos a Lorena de posição pra ele ver como estava tudo e ela gostou da posição que ela ficou (semi sentada, ela não quis cócoras). E ficamos esperando a Cecília nascer! Ja tinha bercinho no quarto, a pediatra já estava de prontidão.

Nessa hora a Lorena pediu um copo com água, ela estava bem serena, tranquila mesmo. Perguntava o que era para fazer e fazia, foi perfeita! Como ela havia me pedido para filmar e fotografar tudo o que eu pudesse eu fiz isso, mas estava com 2 câmeras ao mesmo tempo, foi tenso haha! A câmera deles era melhor para filmar na penumbra e a minha para fotografar (já que eu não queria dar um flash na baby, de jeito nenhum!).

E ficamos ali esperando a natureza agir trazendo a Cecília ao mundo, quando ela coroou eu lembrei a Lorena de pegar na cabecinha dela pra sentir, era bem cabeludinha! Brincamos que dava até pra fazer uma maria chiquinha e puxar ela pra fora hehe, a Lorena respondeu: ah, bem que poderia ser assim! KKK!

E veio a Cecília! E todos se emocionaram e eu lá tentando filmar a fotografar ao mesmo tempo!!! Foi lindo, mágico!

Foi esperado o cordão parar de pulsar e o pai cortou. Como a pediatra tinha que atender um outro paciente quase na mesma hora ela foi fazer os cuidados iniciais na Cecília. Mas tudo ali no quarto. Como ela estava muito bem, só era bem calminha rs, ela liberou a bebê pra ficar com a mãe.

Ela nasceu dia 24/06/2011 23:12 com 3kg e 48 cm!

Linda fofa e cabeluda!!!

A placenta saiu a gente viu (ainda acho que a minha era muito pequena gente…) tava tudo ok, a Lorena levou alguns pontinhos.

E mais uma vez fui privilegiada de acompanhar o parto de uma pessoa muito especial, ainda mais sendo a pessoa que me ajudou muito na busca e na hora do meu parto!

Pra Lorena, Cecília e Lais tenho uma frase:

“Amor da minha vida, daqui até a eternidade, nossos destinos foram traçados na maternidade.” Hehe!!!

Obrigada Lorena por ter escolhido a minha presença, obrigada Juliano por ter sido um marido/pai excelente, obrigada Pata por me dar força pra seguir mais esse sonho de ser doula, obrigada à todas as meninas do Gesta, obrigada às enfermeiras do Hospital Evangélico de Londrina que depois que entenderam o que estava acontecendo agiram de maneira respeitosa, obrigada Dr. Alessandro Galletto por ter me permitido participar desse momento e ter permitido um parto ativo. Obrigada Cecília! Seu coraçãozinho sempre ótimo durante as contrações, sua tranquilidade depois de ter nascido, obrigada bebezinha linda por existir! Bem vinda!

BjoS!!!

Minha primeira experiência como doula

Vocês sabem o que é e o que faz uma doula?

Tem uma definição bem completa para isso que tirei do site http://www.doulas.com.br:

A palavra "doula" vem do grego "mulher que serve". Nos dias de hoje, aplica-se às mulheres que dão suporte físico e emocional a outras mulheres antes, durante e após o parto.

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Eu tive a oportunidade e o prazer de acompanhar o parto de uma pessoa muito especial como doula. Me preparei para isso e imagino que minhas experiências com meus partos ajudaram também. Eu não fiz curso (ainda) mas vou fazer! Quando fui doulada no meu último parto é que percebi a importância de ter uma doula (que pode ser uma pessoa que você preparou para isso) junto comigo. Faz toda a diferença!

Quando a Paula me falou que queria eu eu acompanhasse o parto dela porque a nossa doula iria viajar e talvez não conseguisse chegar a tempo para o parto, confesso que fiquei um pouco insegura. Por mais que eu tenha estudado muito sobre parto, parto ativo, tenha um conhecimento razoável em anatomia e fisiologia por ser técnica em radiologia, eu nunca havia doulado ninguém antes. Aceitei o "desafio". Ela já estava no final da gestação, fomos nos falando e combinando o que ela queria para o parto dela. Era um VBAC, parto normal depois de uma cesárea que ela planejava. Esse é um dos papéis da doula, ajudar a mulher a construir e idealizar o que ela quer para o momento do parto.

A Lorena (que foi minha doula e seria a da Paula) antes de viajar passou aqui em casa para deixar a bola e o tapetinho. Conversamos bastante sobre o que a Paula queria, sobre o médico que iria acompanhar, sobre as expectativas da Paula e das nossas (rs… doula tem expectativa, e na maioria das vezes é que tudo acabe com um lindo parto natural hehe!) e ela foi viajar, curtir suas merecidas férias :).

No dia 03 de maio a Paula me ligou dizendo que estava com contrações de 3 em 3 minutos e um pouco doloridas. Como ela mora longe do hospital e o combinado foi nos encontrarmos lá resolvemos que o mais prudente seria ela ir para o hospital.

Arrumei tudo aqui, deixei um leitinho para a Lais, peguei um taxi e fui para o hospital. Detalhe: com a bola e o tapetinho hehe. Quando o taxi chegou ele achou estranho a bola e tal. Expliquei o que estava fazendo no caminho e quando ele ouviu a palavra PARTO foi rápido que nem uma flecha! Cheguei na recepção do Hospital Araucária e as recepcionistas já arregalaram o olho quando viram a bola, eu ja fui explicando que era doula da Paula que estava internada já e elas me mandaram subir.

Cheguei lá a Paula na maior tranquilidade, realmente era um TP latente, nada ativo. Ela estava com 3cm de dilatação. Pegou a bola e começou a fazer alguns exercícios (ela é fisioterapeuta) para ajudar a dilatar e o bebê descer. Esse momento foi muito gostoso, ela estava bem falante ainda e batia um sol maravilhoso no quarto. Pedimos uma salada de frutas para ela que veio com mel, ela nem tinha tomado café da manhã. A ideia inicial era ela ter o bebê ali no quarto mesmo. O marido estava tranquilo e ela também, o tempo foi passando a dilatação aumentou um pouquinho só e eu achei melhor aproveitar que a coisa estava tranquila e dar uma passada em casa pra ajeitar algumas coisas e almoçar. Mas na verdade o que eu queria era dei xar os dois sozinhos, a mulher quando fica sozinha fica mais introspectiva e isso ajuda a engrenar o trabalho de parto. A Paula foi para o chuveiro com tapetinho e bola para relaxar e fazer exercícios.

Vim pra casa com uma enxaqueca lascinante! Quando cheguei todos estavam dormindo ainda, aproveitei e tomei um remédio e cochilei um pouco. Acordei com o telefonema do marido da Paula me chamando para voltar que agora sim o parto tinha engrenado. E minha dor de cabeça tinha ido embora! 😀

maio 025

Chegando lá fui tomada por um sentimento lindo de amor. Os dois ali abraçados passando pela contração juntos, dava pra sentir, quase pegar o amor que eles estavam transmitindo. Fui ajudando com posições, massagens, encorajando a Paula.

A dilatação do último toque estava em 6cm e as contrações bem fortes e intensas. Ela não conseguia mudar de posição, o marido e ela haviam combinado que se as coisas ficassem muito tensas eles pediriam analgesia. E assim foi.

O médico me permitiu entrar no centro cirúrgico para acompanhar o parto. Depois da analgesia ela ficou bem calma e voltou a ser falante hehe.

O parto foi evoluindo mas a analgesia foi perdendo o efeito. Ela pediu para aplicar mais, foi aplicado e coincidentemente ou não (os médicos juram que não, mas eu acho que sim) as contrações pararam e o Davi precisou do auxílio do fórceps para nascer. Mas foi bem tranquilo!

Como foi emocionante ver ele nascendo, eu chorei e quando fui me desculpar por estar chorando percebi que todos estavam com os zóim brilhando haha! Pedi para o pediatra colocar o Davi em cima da Paula para eles se conhecerem finalmente (mesmo com analgesia ficamos um pouco presas na maca, eu sei porque tive 2 partos com anestesia) e foi mais emocionante ainda!

Foram quase 11 horas de trabalho de parto no total, umas 5 ou 6 horas de trabalho de parto ativo.

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Davi nasceu de um VBAC hospitalar no dia 03/05/2011 às 17:34 com 3,500kg e 49cm.

Quando o Davi nasceu não nasceu só uma mãe, nasceu uma doula!

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Foi gratificante acompanhar a Paula!

"Ah Marilia, mas nem foi parto natural, nem foi parto de cócoras no meio do mato que nem índio!"

A Paula conseguiu ter um parto normal, hospitalar com um médico que raramente acompanha um parto normal, e depois de ter a primeira filha de uma cesárea. Pra ela, para o marido e para mim foi uma grande vitória! Acredito que a experiência que ela teve com o parto (que antes ela não tinha experimentado) possa ajudar ela no futuro, embora ela fale que não quer mais filhos no futuro… sei… 😛

Depois de algumas semanas que deveriam ter sido só alguns dias, fiz laqueadura e fiquei de molho em casa, fui visitar a Paula para uma consulta pós parto. Davi é muito lindo mesmo! Está cada dia maior e mais esperto e matando a mãe, o pai, a irmã e a doula de orgulho!

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Se você está pensando em ter um parto normal se prepare antes, peça ajuda para uma doula, não é tão caro como parece e faz toda a diferença! Algumas parcelam o pagamento em várias vezes. E se for o caso peça para alguma amiga ou parente ser sua doula, mas se preparem busquem os grupos da Parto do Princípio, informações na internet e livros.

Até mais!

Parto Normal X Cesárea

Essa discussão parece nunca ter fim, ainda mais quando você escolhe o “lado” que você quer ficar. Em todo lugar perguntam do bebê e como ele nasceu e é inevitável tocar no assunto.

Ontem passei por uma experiência no mínimo estranha. Uma senhora me perguntou como a Laís tinha nascido, falei que de Parto Natural (que sim é diferente do “normal”) e que meus dois outros filhos tinham nascido de Parto Normal também.

Gente, ela me olhou mais ou menos assim:

Nójeeeento!

Eu fiquei sem ação na hora, ela falou:

– Sou instrumentadora cirúrgica e acho o Parto Normal uma coisa horrível!

– Realmente, o que vocês fazem com as mulheres no hospital deixa o parto horrível mesmo. Pra começar deixar a mulher deitada, é a pior posição pra parir.

– Ah mas não fica totalmente deitada, a cabeça fica um pouco levantada…

– Mas a barriga fica pra cima fazendo o útero lutar contra a gravidade, o sacro fica pressionado diminuindo o tamanho do canal de parto, só dificulta!

– Mas como que tem que ser então??? (Já indignada e achando tudo uma loucura.)

– Do jeito que a mulher quiser na hora!

– Mas NINGUÉM consegue fazer isso, na hora a mulher fica muito desesperada! (Olha, eu concordo que se eu tivesse ela do meu lado na hora eu ia ficar desesperada…)

– Se eu consegui quem disse que ninguém consegue? É só ter perto da mulher pessoas que ajudem ela de verdade, sem ficar mandando ela fazer força na hora errada, força de cocô, se ela fizer força de cocô ela vai fazer cocô oras! Eu tive a Lais de 4 na cama do quarto do hospital, nem fui pro centro cirúrgico, não precisa ir quando está tudo bem.  A Andrea (minha amiga que estava no mesmo lugar que a gente) teve na água na banheira do hospital.

Ela ficou sem argumentos, meu marido chegou, eu me despedi. Dessa vez pelo menos eu  não tive que escutar como uma cesárea é pratica (e pra ela também é lucrativa né? ) e blá blá blá whiskas sachet.

Aí eu fiquei pensando… como o mundo e as pessoas são estranhas. Quando uma mãe ou bebê morre durante uma cesárea ou depois por conta de alguma complicação (e acreditem há muito mais mortes por cesáre que por partos normais) ninguém vai fazer escândalo na mídia, ninguém fica indignado pelo médico ter marcado a cesárea antes do tempo, antes de feriado, férias, viagem “importante”. ALiás, ninguém nem cogita que a cesáre possa ter desencadeado algum problema. O que se vê é uma ignorância total de como o corpo da mulher funciona, de quando os procedimentos são realmente necessários. As mulheres optam pela cesárea porque ela é mais cômoda e prática, melhor ir lá te cortam, tiram o bebê pra você e você não tem que fazer nada. Melhor ficar na ignorância sobre como o seu corpo funciona. Mas todo mundo sabe de pelo menos 5 casos da filha da prima da vizinha que morreu no parto, que foi cortada, que o bebê tem paralisia cerebral…

E sinto muito dizer, os úteros na sua grande maioria funcionam muito bem! O que está com problemas é a cabeça das pessoas.

Uma participante do Gesta que queria muito fazer um parto normal teve que fazer uma cesárea de emergência. Ela se preparou para o parto, fazia os exercícios e tudo mais. No fim da gravidez a pressão subiu, começou a comprometer o fluxo sanguíneo do bebê e foi feita uma cesárea de emergência no MESMO dia. Esse é um caso de uma cesárea necessária. O bebê provavelmente teria problemas durante o trabalho de parto (que exige do bebê também, ele participa junto).

Mas quantas cesáreas de emergência eu já vi marcadas para daqui 5 dias? Porque o cordão está “perto do bebê”, a bacia da mãe é muito estreita, o bebê ainda não está encaixado ou a mulher tem escoliose???

Ah Marilia, eu tive 84728457824 cesáreas e estou bem, meus filhos todos lindos correndo pulando por aí, me dando maior trabalho! O que conta é o bebê, o que conta é que deu tudo certo no final…

Eu sei, mas eu não entendo. Me desculpa. Eu não entendo uma mãe optar por um procedimento que tem mais riscos, onde ela VAI sentir dor (depois mais vai) por medo da dor. A dor do parto passa, 15 minutos depois do parto da Lais eu tomei banho TOTALMENTE SOZINHA comi e fui no berçário ver ela.  É muito diferente. A Laís era prematura e nasceu com Apgar 9 e 10, durante o parto há hormônios que são liberados para o bebê que ajudam ele a respirar quando nasce. Na cesárea agendada sem entrar em trabalho de parto isso não acontece. São muitos os casos de complicações respiratórias de bebês que nascem de cesárea.

Ah Marilia, mas tem muita mãe que o bebê nasce de parto normal e é péssima mãe, isso não tem nada a ver.

A questão nunca foi essa, eu queria era dar uns sopapos na primeira mulher que falou: eu não sou “menas” mãe porque tive meu filho de cesárea! A questão é a saúde, é o engano que se perpetuou de que a cesárea é a melhor escolha, ela nem deveria ser uma escolha, ela deveria ser usada em situações específicas onde o parto apresenta um risco maior que a cirurgia.

Mas o que ainda me deixa mais triste são as mulheres que querem ter um Parto Normal e respeitoso e não podem. Não podem porque não se preparam, porque o médico jamais deixará ela entrar em trabalho de parto, porque a família aterroriza tanto que ela perde a paciência e marca a cesárea, porque o medo supera a confiança no seu próprio corpo. E quando elas chegam a ter um Parto Normal ele vem cheio de intervenções que não eram necessárias para apressar tudo e acabar logo, afinal para o médico não é nada lucrativo ficar ali esperando.

Nessa reportagem aqui o meu GO Dr. Alessandro Galleto fala:

O parto humanizado é aquele com menor intervenção possível, ou seja, com menos medicamentos e sem intervenção de conduta. “É proporcionar à mulher uma condição que ela considere a ideal para a realização do parto, com a presença de acompanhante, num ambiente tranquilo”, explica ele.

Segundo Galletto, a medicina transformou o momento da chegada do bebê em algo mais complexo. O que sempre aconteceu de forma natural, em qualquer ambiente, foi levado para dentro do hospital e cercado de tecnologias. “A humanização é o resgate do que era o modo mais fisiológico possível.”

E ainda mais:

 O médico afirma que toda mulher deve saber do funcionamento do seu corpo e das possibilidades existentes para o momento de parir. “É preciso dar informação para quem quiser fazer de maneira natural, ter oportunidade para isso. Minha função é detectar problemas e, desde que não haja nenhum, a mulher pode fazer o que quiser.

Quem dera todos os médicos pensassem assim, e todas as mulheres soubessem que o papel dos médicos é esse e o delas é parir se tudo estiver bem.

BjoS!

Nem mais nem menos. Escolhas…

Atenção: esse post é enorme!

Gente querida dessa internet varonil! (Ui!)

Faz algum tempo que preciso escrever sobre a maternidade e as escolhas que precisamos fazer.

Vamos para um MACRO flashback de 12 quase 13 anos atrás. Eu tinha 15 anos e estava grávida. E eu quis engravidar, eu e meu namorado (que é meu marido até hoje) queríamos casar, e nem venham com conversinha que eu deveria estar brincando de boneca, porque se eu for contar a situação que estava minha vida naquela época vocês iriam entender que o Daniel na minha vida foi providência divina!

Não vamos fugir do assunto. Escolhi casar, tive outras opções, uma delas seria interromper a gravidez (sim, me deram essa opção pra quem não sabe). Isso na época chegou a me ofender, mas talvez a pessoa não entendesse que eu tinha escolhido engravidar. Pra mim soou como uma banalização da vida do meu filho, mas pra ela era só uma questão de ajuda, de dar um caminho.

Casamos, fiz 16 anos e 4 meses depois o Mateus nasceu. De parto normal, porque eu escolhi assim. Meu médico na época era bem favorável a isso, e me ofereceu o parto sem dor (com analgesia). Eu a princípio não queria anestesia, mas depois do soro com ocitocina e das primeiras contrações após o soro (peguei o médico “no pulo” ele tava saindo pra viajar, então resolveu dar uma apressadinha no parto) e o anestesista ali do lado, sempre tão simpático! Pedi pra anestesiar, e foi tranquilo, não senti nada, a sensação era que tinham tirado algum recheio de mim, Mateus nasceu lindo e bem. Me recuperei bem, e menos de uma hora depois eu já estava amamentando ele. Porque eu quis. Me chamaram de doida, me falaram que era mais fácil dar mamamdeira, mas eu não quis. E eu lembro de falar que se todo parto fosse como o do Mateus eu teria 20 filhos porque não senti nada.

Compramos uma chupeta pro Mateus, e numa consulta com o pediatra ele falou tão, mas tão mal da chupeta que jogamos fora ali mesmo dentro do consultório. Ele não usou chupeta, porque nós não quisemos. Eu nunca desacreditei no meu leite, aliás, nós nem tínhamos condições pra comprar um leite artificial, se ele saísse do peito iria direto pro leite de vaca e eu não achava certo eu ter leite, estar disponível (não trabalhava e tinha parado de estudar) e não amamentar. Além do mais, eu sempre gostei de amamentear. Uma coisa que me arrependo foi ter usado com ele o Método Nana Nenê, sabe aquele que deixa o bebê chorar? Então… se pudesse voltar no tempo e dar um presente a mim mesma seria um sling e um livro do Dr Karp. Mas era a moda da época e todos os pediatras indicavam, e internet meu bem, era só pra enviar email e usar o IRC, ICQ. Não tinha o conteúdo que tem hoje não! E o Mateus seguiu sendo amamentado porque eu quis até 1 ano e 2 meses que foi quando eu cheguei a 42 quilos de inanição. Ele literalmente me mamou! E escolhi parar de amamentar. Quis me cuidar, quis engordar um pouco, ficar mais bonita pro meu marido, pra mim.

O tempo passou e voltei a estudar, porque eu quis. Mateus tinha 5 anos e não nunca tinha frequentado escolinha, uma porque não poderíamos pagar mesmo e outra porque eu não via motivo pra isso, ele sabia tudo o que as crianças da idade dele sabiam indo pra escola. Eu levei ele pro primeiro dia de aula, ele me deu tchau e eu chorei, sim… mesmo passando 5 anos com o bichinho grudado em mim me enchendo os pacová 24 horas por dia, eu chorei, e choro de novo de lembrar.

Voltei a estudar, escolhi o curso técnico em Radiologia porque a jornada de trabalho era de meio dia. Só que… eu gostava do que eu fazia e acabei me destacando. Enquanto a maioria das pessoas que se formaram comigo até hoje não conseguiram emprego, de repente me vi trabalhando em 2 lugares. Coloquei o Mateus na escola em período integral, ele estava na 2ª série. Porque eu quis. E fui levar a minha vida de mulher trabalhadora de tripla jornada. Mas a vontade de ter outro filho foi batendo, junto com os desaforos que você leva no trabalho, com gente querendo puxar seu tapete e numa bela noite eu resolvi largar tudo pra ser mãe novamente (nesse meio tempo marido trabalhou pra caramba também e eu poderia fazer isso tranquilamente)… e larguei tudo, porque eu quis! Me chamaram de louca, de fraca, que eu não aguentava mesmo trabalhar porque queria fazer tudo muito certinho… em menos de 2 meses eu estava grávida, pra mim foi uma tipo de confirmação que estava fazendo a coisa certa.

Gabriel nasceu de parto normal, todo corrido com direito a ser levada pelo médico pra maternidade, ser xingada no trânsito no meio do caminho. Nasceu de parto normal porque eu e ele quisemos. Meu médico me propôs uma cesárea, mas como eu já estava com dilatação ele ia esperar mais 2 dias se não nascesse iria induzir. Quando cheguei na maternidade eu achei que como já estava com dilatação total eu ia conseguir ter esse bebê sem anestesia, mas qual foi a minha surpresa… havia um anestesista simpático lá também que me ofereceu dorgas uma raqui e eu fui anestesiada, porque eu quis. Me arrependi, não conseguia respirar direito com o caninho que colocaram no nariz, não sabia a hora de fazer força, mas até que foi rápido. E pra falar a verdade… eu senti tudo, a anestesia foi agir depois, quando fiquei esquecida no corredor enquanto arrumavam quarto pra mim escutando o Gabriel chorar numa salinha ao lado, sem sentir minhas pernas, sem poder levantar. Me arrependi. Pensava que jamais ia querer outro filho! Tive ataque de pânico e não sabia o motivo, tive depressão pós-parto.

Hoje eu vejo que eu idealizei uma coisa pra hora do Biel nascer mas ficou tudo só na minha cabeça. Na hora foi muito diferente e eu tinha que lidar com aquilo. Biel nasceu bem, um bebê fofucho e risonho que por ser assim abreviou com toda certeza esse período cinza da minha vida.

Quando ele tinha 2 meses fui chamada pra uma entrevista pra trabalhar numa clínica radiológica muito conceituada em Curitiba. Fui pra entrevista porque eu quis. Papo vai papo vem, tenho que falar que tenho bebê de 2 meses e amamento e não ia deixar de amamentar. Ela me diz então que é inviável mas que tinha gostado muito do meu perfil (logo eu que tenho nariz de periquito?) e se eu não tinha mesmo como desmamar o Gabriel e ficar com o emprego. Eu recusei o trabalho, porque eu quis. Indiquei uma amiga muito chegada minha que conheci durante o curso e ela trabalha lá até hoje. Indiquei porque eu quis e porque eu conhecia o trabalho dela. Mudamos pra Londrina, era pra escolher entre aqui e Salvador, mudamos pra cá porque era mais próximo dos parentes, a mudança era mais barata… enfim, porque quisemos. Meu pai queria que eu fosse pra Bahia haha!

Usava muito o sling com o Gabriel e sabia costurar, comecei a fabricar os slings porque adivinha? Eu quis. Não era fácil costurar com o bebê mamando, ir ao correio, loja de tecido etc. Meu marido ainda trabalhava fora, eu tinha que me virar. Nesse meio tempo fui pesquisando sobre parto porque fabricar sling me levou a conhecer muita gente desse meio “materno”. Foi quando uma pessoa começou a questionar sobre meus partos. Confesso que na hora fiquei meio ofendida… como assim não precisava episiotomia? Como assim a anestesia que me deram não serviu pra nada e me atrapalhou? Mas aí a pulga já estava lá, atrás da minha orelha, todo dia pulando e mordendo e cada vez mais ia entendendo o que tinha acontecido comigo. Na minha cabeça parir era natural, eu só faria cesarea em caso de necessidade. Mas eu mesmo não tinha feito nada nos dois partos, foi tudo comandado e feito pela equipe.

E foi aí que a Lais começou a ser planejada. Eu sempre quis ter 3 filhos, mas quando tive o Biel fiquei tão mal que achei que nunca mais ia querer nenhum. Mas de tanto lidar com grávidas, bebês, partos… a vontade voltou! Biel mamou 2 anos e 2 meses porque eu quis. Muita gente falava que ele ia ficar dependente demais de mim, que ele não ia se acostumar com outras pessoas e situações… balela. Eu bem poderia seguir amamentando ele mesmo grávida, mas eu realmente não quis, não tinha mais vontade de amamentar e desmamei. Ele não é nada dependente de mim, fica com o pai e com qualquer outra pessoa na boa, sabe muita coisa pra idade dele e ele não vai pra escola agora, porque eu não quero.

Engravidei de novo, porque eu quis, marido não queria muito não… e dessa vez eu queria tudo, queria sentir a dor, queria saber se tudo o que me questionaram era mesmo verdade. Se parir dói mas é bom, se quando chega a um determinado momento não dói mais, se eu era mesmo capaz de fazer sozinha seguindo o meu corpo e não alguém que está do lado de fora. E eu tive tudo. E era verdade. E eu pari sem anestesia de quatro na cama do quarto do hospital porque eu quis. E porque me deixaram. E por isso sou chamada de louca e corajosa, mas não acho que seja corajosa (louca eu já tenho certeza), eu escolhi, eu fiz. E tudo cooperou pra que acontecesse. Sim, foi totalmente diferente dos outros partos como experiência, não tem como negar! Deixei de ter os outros dois filhos por causa disso? Me sinto “menas main” por não ter feito do jeito que eu imaginava que seria antes? NUNCA! A Lais também será amamentada até quando eu quiser, ou quando ela não quiser mais. Vou continuar a costurar os slings até quando eu quiser, Gabriel só irá pra escola quando eu achar necessário e o Mateus não vai ter Facebook, MSN, Orkut até segunda ordem, porque eu não quero ele exposto na internet com o juízo de amendoim que ele ainda tem.

E pra quê eu to contando tudo isso?

Veja bem, eu escolhi esse caminho. Em todas as escolhas tive consequências. Quem teve que arcar com elas? Eu. Você pode achar que foi fácil, que foi muito difícil, que eu deveria ter feito isso ou aquilo, que sou muito boba, muito louca,  pense o que quiser, isso não vai mudar o que eu vivi, o que eu acho certo pra  mim. São as minhas circunstâncias, é a minha vida.

Quer ter filho de cesarea sem necessidade? Não vai ter meu apoio (como eu não tive de várias pessoas pra ter o parto natural por exemplo), mas eu respeito sua escolha. Quer dar mamadeira pro seu filho? Eu entendo, ordenhar é chato, cansativo e pode ser que pra você não dê pra conciliar o trabalho e a amamentação, e você não tá afim ou não pode largar o trabalho. Te respeito. Não acho que isso mude o amor que sente pelo seu filho. Mas aconselho a todas que conheço que se informem sobre o que é melhor para a situação que estão vivendo, pra que possam sempre ter uma escolha pelo menos informada. Mas respeito minha gente, é fundamental.

Eu luto a favor da humanização do parto, não posso ser desumana com quem tem escolhas diferentes das minhas. Quero que me respeitem nas minhas decisões, não quero ninguém debochando da maneira como pari, como amamento minhas crias. Por isso não vou debochar de ninguém. Não vou mais aceitar como ofensa provocação feita por quem não me entende. Eu sou feliz e resolvida com as minhas escolhas, eu não tenho que provar nada pra ninguém. E estou escrevendo tudo isso porque eu quero, e porque não quero mais me envolver nesse tipo de discussão.

Vale mais um filho meu dizer que eu sou a melhor mãe do mundo que qualquer uma outra pessoa que me julga e não me conhece vir me dizer que sou uma mãe de merda.

Se quer que escutem suas ideias, experimente escutar e tentar entender a ideia dos outros.

BjoS!

Relato do parto da Lais

O Sonho

Tive um sonho no começo do ano de 2010. Nele eu estava parindo num hospital e quando vieram me mostrar o bebê eu perguntei antes para o Daniel (meu marido) o que era? E ele falou que era uma menina! Eu não acreditei, abri o pano que ela veio enrolada e vi que era mesmo! Acordei dando risada, eu sempre imaginei que teríamos um terceiro filho, mas jamais que seria menina!

O negativo

Durante o carnaval tivemos a notícia que uma amiga nossa estava grávida. Eu comecei a sentir uns sintomas estranhos e a menstruação tava uns dias atrasada. Resolvi fazer um teste de farmácia que deu negativo. O motivo de eu desconfiar é que estava esquecendo  muito de tomar a pílula e o Biel estava meio que desmamando. Com isso eu sabia que mesmo tomando o remédio a chance de engravidar era mínima, mas existia. No outro dia pela manhã a mesntruação desceu. Era dia 17 de fevereiro.

O Positivo

Dia 04 de abril nós fomos na Expo Londrina, uma feira que tem aqui em Londrina todo ano. Eu ainda não sabia que estava grávida. Andamos, comemos um monte e na volta passamos no mercado. Eu não passei muito bem o dia todo e o marido só de rabo de olho pra mim. No mercado passamos pelo corredor que fica perto dos peixes e me deu uma ânsia terrível! Voltamos pra casa eu continuei meio “mareada” e o Daniel foi buscar outro exame de farmácia. Enquanto ele via o clipe do Tim Maia no You Tube eu vinha com o resultado na mão. Positivo. Ao fundo tocava “ A semana inteira, fiquei esperando, pra te ver sorrindo, pra te ver cantando…”. Eu fiquei muito feliz, ele mais assustado, o combinado era parar com a pílula em dezembro, mas em dezembro nosso bebê ja estaria por aqui. Com 13 semanas descobrimos o que o sonho já tinha dito, que era a Lais que estava vindo!

A gravidez, um susto.

Tudo tranquilo, com 20 semanas tive um susto, comecei a sentir contrações doloridas e num curto intervalo de tempo. Mas estava tudo bem, diminuí o ritmo e tudo voltou ao normal. Todos os exames ok. Lais até sorriu na fotinho 3D que o médico fez dela, enquanto isso eu ia elaborando mentalmente como seria o parto.

Planejando o parto.

A princípio a Patricia Merlin iria me doular, pensamos em um Parto Domiciliar, mas o tempo foi passando e sem ter uma equipe aqui em Londrina pra isso eu não estava mais confortável com a ideia. E apesar de estar tudo bem com a gestação e com a Lais eu sentia que o meu parto seria hospitalar, podem falar o que for, mas eu sentia isso sim. Então eu não estava criando mais muitas expectativas para um Parto Domiliciar. Se desse tinha dado e pronto. Se não eu não ia me estressar e iria pro hospital com alegria no coração hehe. Até porque confiança no meu GO eu tenho (agora mais ainda) de que ele iria me respeitar nos meus desejos de como eu queria que fosse o parto.

Como os partos anteriores foram bem rápidos e a Patricia mora em Maringá (cerca de uma horinha daqui) combinamos que a Lorena iria me acompanhar se a coisa ficasse meio The Flash. Lorena não é doula de formação, ela é fisioterapeuta e especialista em Yoga para Gestantes, e no curso de Yoga uma das coisas que se estuda é a doulagem, obviamente de um maneira menos profunda que em um curso de doula, mas eu sabia que ela estava preparada. Durante a gravidez eu li o livro Parto Ativo (foi a Lorena que me emprestou) e recomendo a todas que querem parir que leiam. Me ajudou muito!

O outro susto.

Com 34 semanas e 5 dias (mais ou menos) eu comprei as últimas coisas que faltavam pra Lais nascer. A menina é tão querida e abençoada (e nossos amigos tão amorosos) que nem era tanta coisa assim. Depois fomos ao mercado. Um dia antes comecei a sentir um desconforto lá dentro da… perereca (não tem como explicar de outro jeito) como se estivessem arranhando, e no mercado isso começou a aparecer novamente, mas de um jeito tão forte que eu tinha que parar de andar. Ligamos pro Dr. Alessandro que pediu pra me avaliar. Quando ele fez o toque, fez uma cara que pensei “ih, ferrô, tô dilatando”. E era bem isso, uns 3 cm e colo um pouco trabalhado, eu tinha um caminho: internar pra inibir.

Fiquei internada quase uma semana, e sinceramente foi bom para conhecer a equipe do hospital, ficar amiga das enfermeiras, conhecer o procedimento padrão deles, e de quebra ainda acompanhei o nascimento da Helena, filha da minha amiga Dani. Se estivesse em casa não conseguiria fazer repouso total. A Lais ainda não estava madura para estrear nesse mundão e quanto mais conseguíssemos manter ela dentro da barriga melhor seria!

Daniel se virou com os meninos, os três me encheram de orgulho cuidando da casa e deles mesmos.

Tem internet no hospital e isso foi ótimo pra eu não me sentir sozinha, já que o marido não poderia ficar comigo o tempo todo. Usei o MSN pra falar com o Biel na cam, até coraçãozinho com as mãos ele fazia hahaha!

Tive alta sábado dia 23/10 e viemos pra casa pra continuar a inibição com comprimidos. Os meninos continuaram me ajudando e consegui me manter em repouso. Mas na madrugada do dia 24 pra 25 o Biel passou mal com vômitos e o Daniel levou ele pro PS, eu estava com o intestino meio estranho, pensei que era por causa do antibiótico. No dia 25 Mateus passou mal a tarde e também ficou no PS a noite, e enquanto eles estavam lá (a essa altura Biel tava com diarréia também) eu passei mal e vomitei. Toda força que eu não fiz durante os dias de repouso vou “ti contá” que fiz naquela vomitada. Liguei pro Dr Alessandro que me passou o remédio pra eu tomar pra diarréia (intestino estranho é o caramba, eu tava com virose!). Mateus voltou (branco da cor da parede de casa) do PS e fomos todos domir. Marido ensaiava a virose também, mas começou a tomar o que eu tava tomando e eu acho que deu uma “segurada” hehe.

O Parto

Na madruga de 25 pra 26 eu senti algumas contrações, comecei a contar o tempo, não tinham ritmo e nem eram doloridas, desencanei e voltei a dormir. 9 da manhã eu senti outra vez. Ai comecei a contar, estavam de 5 em 5 minutos e bem fortinhas, durando bastante tempo cada uma. Cutuquei o marido e falei das contrações e ele imediatamente levantou rapidão e já começou a se vestir. Liguei pro GO que estava atendendo outra paciente, falei com a recepcionista (Tati, valeu! :D) que me pediu pra ir para o hospital que ele estava por lá mesmo. E lá fomos nós, antes de sair avisei a Lorena e ela também estava indo pra lá. Avisamos a Jana para vir aqui em casa pegar os meninos e fomos pro hospital.

10:15 Dei entrada pelo PS . Me levaram de cadeira de rodas pra maternidade, a princípio eu não queria isso, mas eu tava tão cansada, não tinha dormido bem, me sentindo meio fraca mesmo e não neguei a cadeira haha!

Chegando lá na ala da maternidade as enfermeiras todas sorrindo (ainda hehe) pra mim, perguntando se agora era a hora mesmo, eu tava tranquila entre uma contração e outra eu ia respondendo e conversando com elas enquanto o médico não chegava. Colocaram soro (SÓ SORO sem ocitocina nem nada) por causa da virose. No cardiotoco tudo ok, realmente as contrações estavam bem fortes e próximas uma da outra. Dr Alessandro chegou e fez o toque, 5cm de dilatação e colo totalmente apagado, Lais tava vindo com tudo! Isso que as 10 da manhã eu tomei a Inibina. Como eu ja disse antes o meu médico (Dr Alessandro, ou o GO :P) estava acompanhando outra paciente (e não sei não ser não eram mais duas, não lembro mesmo) então como eu tinha tomado o remédio as 10 lá pelas 3 da tarde era pra Lais chegar. Isso nas contas de qualquer mulher comum, não nas minhas. Eu sabia que ela tava vindo e era pra já. Mas né… eu queria era curtir o parto.

 

Curtindo o parto rs...

Vinha a contração eu respirava fundo controlava pra não lutar contra ela e ela ia embora. E assim foi. Fiquei ali na salinha de exames até me levarem pro quarto onde fiquei sozinha por causa da virose (bendita virose, me permitiu ficar no quarto sozinha mesmo tendo plano enfermaria). Antes ainda conversei com a Ângela, uma companheira de internação que também estava inibindo, ela era paciente do meu GO e tinha parido um dois dias antes de mim, uma fofa ela, foi me desejar boa sorte e me contar como foi o parto dela.

Assim que eu entrei no quarto a Lorena chegou com a bola, fiquei ali um tempo (a partir daqui eu não tive mais noção de tempo mesmo, as coisas simplesmente aconteciam) sentada, rebolando, respirando e… comecei a sentir o cheiro da comida do hospital.

– Ahhhh! Que cheiro de comida ruim!!!

Em menos de 3 segundos o Daniel ja tinha me trazido o lixo pra eu vomitar haha! Tá esperto o marido! Me deram um Dramin na veia que doía mais que a contração.

 

Cheiro de comida ruim...

O Dr Alessandro voltou e fez mais um toque, estava com 6cm, só que eu tive que deitar pra fazer o toque e isso não é legal. Começou a doer muito cada contração e o máximo que consegui fazer foi me virar pro lado esquerdo pra não ficar de barriga pra cima. E tava doendo muito (uma enfermeira veio me perguntar se tava doendo muito BEM no meio de uma contração), a Lorena fazia massagem de uma maneira tão gostosa, aliviava muito! Sempre me lembrando quando respirar e como respirar, meu Deus como isso ajudava! Daniel e ela se revezavam na massagem nas costas e na compressa de água gelada na testa, as vezes eu pegava a compressa e mordia, outras eu torcia, batia na parede (hahaha, isso foi algo que eu não esperava mas bater na parede aliviava a dor). Eu sabia exatamente quando era um e outro que me tocava, mesmo com os olhos fechados. Lorena se ocupou também em reduzir a luz, o braulho e movimentação no quarto.

Nessa hora eu só pensava em uma coisa:

– Eu não posso ficar nessa posição, preciso mudar!

Lorena fazendo massagem

Vomitei outra vez (sim, tenho estômago fraco) mas nem pra vomitar eu consegui sair da posição que eu estava!

Chegaram a preparar o chuveiro pra me aliviar, mas eu não conseguia sair da cama.

Assim que terminava uma contração começava a outra. Foi bem difícil essa parte. Até que comecei a conversar com a Lais:

– Filha, vem logo, vamos acabar com isso de uma vez. Mamãe tá fazendo a parte dela, aguenta firme, já vai acabar. Eu não escutei mas percebi o Daniel orando por mim, me senti tão amparada nessa hora, e me deu uma tranquilidade muito grande, consegui dar uma descansada, desconfio eu que estava em transição porque foi um alívio enorme!

E até que enfim consegui levantar, fiquei nos pés da cama em 4 apoios com vários travesseiros embaixo de mim, engraçado que eu imaginava mesmo que iria parir assim, por causa da escoliose essa é uma posição ótima pra descansar e por outro lado dá bastante firmeza que eu acho que não teria se estivesse de cócoras, e da maneira que estava não daria para fazer cócoras sustentada porque o marido não conseguiria subir na cama e muito menos eu conseguiria descer!

E começaram os puxos! O GO não tinha voltado ainda, foi uma correria! Eu tinha muita vontade de gritar, e gritei! Isso fez com que o quarto ficasse branco de enfermeiras, eu entendo o lado delas, mas me tiraram completamente a concentração!

A Enfermeira mandou vir uma maca pra me levarem pra Sala de Parto, só que o combinado era que eu NÃO iria pra lá! Entre uma contração e outra eu gritava e tentava explicar que eu já tinha combinado com o GO que eu teria o bebê no quarto. A mesma pessoa me falou pra não gritar (e aí que eu gritei mais forte ainda, só de birra mesmo) e que era pra eu segurar porque o pediatra que eu tinha escolhido não tinha chego ainda. Pois é, noção de Parto Ativo nenhuma. Eu entendo que ela estava preocupada com a Lais, porque ela foi prematura, mas eu me limitei a perguntar:

– Mas querida, não tem NENHUM pediatra nesse hospital??? Chama o que tiver!!! Eu não consigo segurar!

Depois ela veio com umas de Kit pra Episio, eu até queria argumentar, mas não deu.

E meu  marido já foi se esquentando falando que se ela mandasse eu parar de gritar de novo ele ia começar a gritar também (pelo menos desviou ela de falar comigo, na boa, tava atrapalhando) e nisso o Dr Alessandro chegou esbaforido, veio correndo pela escada (tem como não amar um médico que vem correndo te ajudar no seu parto?) eu quaaaase ri na hora porque ele tava respirando mais que eu, mas as contrações não me deixaram demonstrar o meu bom humor haha! Ele gentilmente tirou todas as enfermeiras do quarto.

Ficaram Eu, Daniel, Lorena, ele e o pediatra do hospital (Dr Akira se não me engano).

E aí os puxos (vontade de fazer força) aumentaram e a Lorena me lembrou de algo bem importante relacionado a respiração, ela veio bem no meu ouvido e falou baixinho:

– Faz a força no final da expiração. E me abraçava.

O Daniel ficou apoiado na parede (coitada da parede haha) com o braço esticado pra eu me apoiar, fez força junto comigo.

Nisso o Dr Alessandro perguntou se eu não conseguia ficar mais vertical, e eu não consegui. Não tinha como, eu precisava ficar de 4 mesmo. Ele falou que não fazia mal, fiquei do jeito que me senti melhor.

A bolsa estourou, por pouco a Lais não me nasce de bolsa e tudo!

E as dores começaram a diminuir, e a vontade de fazer força aumentar. Comecei a sentir arder tudo (acho que que se existe o tal “círculo de fogo” deve ser isso aí mesmo) e fiz mais uma força, o Dr falou:

– Ela já está aqui!

Isso me deu uma emoção tão engraçada que parece que parou tudo, eu perguntei:

– Posso pegar na cabecinha dela?

E peguei, e quando eu vi que ela estava realmente ali eu fiquei revigorada, comecei a fazer a força quando tinha vontade e no fim da expiração como a Lorena falou, eu acho que foram mais 3 forças e ela saiu, eu senti ela escorregar toda quentinha, essa sensação que eu não tive em nenhum dos outros partos por causa da anestesia!

Eram 12:58 do dia 26/10/2010!

O Dr Alessandro me passou ela pelo meio das minhas pernas e deixou ela deitadinha, eu logo peguei ela no colo e só sabia dizer que ela era gordinha, linda, parecida com o Biel, cabeludinha, e ela chorou pra mim! Me tranquilizou! Era como se ela dissesse que estava tudo bem, que tínhamos conseguido, que o sonho que eu tive agora era real! Aquele cheirinho de bebê que acabou de sair da gente! Olhei pra Lorena e disse, eu consegui!

:~)

O GO esperou o cordão parar e cortou, entregou a Lais para o Pediatra que levou ela para os primeiros cuidados (como ela era prematura eu nem questionei nada, ela foi mesmo ter todos os cuidados “padrão”, mas o Daniel foi com ela e falou que o Dr foi um anjo, que tratou ela com respeito). Ela teve Apgar 9 e 10!!!

Enquanto Lais foi com o pediatra ficamos eu a Lorena e o Dr Alessandro esperando a placenta, que saiu bem rapidinho até, me levaram pra sala de exames pro GO avaliar se tinha lacerado e se precisava de pontos, não precisou!

Como o pediatra da Lais não conseguiu chegar a tempo (estava se preparando pra chegar as 3 da tarde) ele por telefone pediu que ela ficasse em observação no berçário. Colocaram ela numa incubadora onde ela tacou o terror arrancando a tornozeleira de identificação, “mamando” na máscara de oxigênio, o pai sempre do ladinho dela.

Assim que consegui levantar, comer, tomar banho eu fui lá pra ficar com ela e só desgrudei pra ligar pro Pediatra pra ver se ele liberava ela pro alojamento conjunto, e ele liberou, no fim da tarde eu estava com ela no quarto, insistindo pra ela mamar e ela começou a sugar a noite. Era o único bebê que estava mamando, nem os que nasceram a termo estavam mamando! Ela chegou a tomar complemento de leite humano no berçário, mas assim que chegou no quarto foi só o da mamãe mesmo! Meu leite desceu em 2 dias, tivemos alta e viemos pra casa, ela é uma fofa!

Nós de alta

Sobre tudo isso e mais…

Se você quer parir precisa SE preparar pra isso. Ler sobre o parto, de preferência ter um doula! Eu diria que é essencial ter uma!

Deve procurar um profissional (médico ou parteira) que realmente te respeite e não ache bobagem ou “perfumaria” os seus desejos sobre o seu parto.

Você pode idealizar, imaginar como vai ser, mas a grande verdade é que é uma experiência surpresa! E vai ser melhor do que você imaginava.

Parir dói, pra mim doeu, mas como já disse até o Dramin na veia tava doendo mais, sofrer por causa das dores ou se deixar levar por elas é uma opção sua.

Eu tive o parto do meu sonho, e o parto que eu sonhava.

BjoS!

Prazer no Parto

Será que é possível?
Segundo vários especialistas é sim!
Eu recomendo a leitura da “Cartilla para aprender a dar a luz” da parteira Consuelo Ruiz Vélez-Frías, e o filme “Orgasmic Birth“.
Aqui vai um video de uma francesa tendo o filho dela e sorrindo!

Indico novamente o blog da Renata Fisiodoula. E o blog da Parto do Princípio.

Espero que as mulheres consigam resgatar o prazer em parir, ou pelo menos desmistificar a cultura do medo do parto normal.

BjoS!

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