Parto Normal X Cesárea

Essa discussão parece nunca ter fim, ainda mais quando você escolhe o “lado” que você quer ficar. Em todo lugar perguntam do bebê e como ele nasceu e é inevitável tocar no assunto.

Ontem passei por uma experiência no mínimo estranha. Uma senhora me perguntou como a Laís tinha nascido, falei que de Parto Natural (que sim é diferente do “normal”) e que meus dois outros filhos tinham nascido de Parto Normal também.

Gente, ela me olhou mais ou menos assim:

Nójeeeento!

Eu fiquei sem ação na hora, ela falou:

– Sou instrumentadora cirúrgica e acho o Parto Normal uma coisa horrível!

– Realmente, o que vocês fazem com as mulheres no hospital deixa o parto horrível mesmo. Pra começar deixar a mulher deitada, é a pior posição pra parir.

– Ah mas não fica totalmente deitada, a cabeça fica um pouco levantada…

– Mas a barriga fica pra cima fazendo o útero lutar contra a gravidade, o sacro fica pressionado diminuindo o tamanho do canal de parto, só dificulta!

– Mas como que tem que ser então??? (Já indignada e achando tudo uma loucura.)

– Do jeito que a mulher quiser na hora!

– Mas NINGUÉM consegue fazer isso, na hora a mulher fica muito desesperada! (Olha, eu concordo que se eu tivesse ela do meu lado na hora eu ia ficar desesperada…)

– Se eu consegui quem disse que ninguém consegue? É só ter perto da mulher pessoas que ajudem ela de verdade, sem ficar mandando ela fazer força na hora errada, força de cocô, se ela fizer força de cocô ela vai fazer cocô oras! Eu tive a Lais de 4 na cama do quarto do hospital, nem fui pro centro cirúrgico, não precisa ir quando está tudo bem.  A Andrea (minha amiga que estava no mesmo lugar que a gente) teve na água na banheira do hospital.

Ela ficou sem argumentos, meu marido chegou, eu me despedi. Dessa vez pelo menos eu  não tive que escutar como uma cesárea é pratica (e pra ela também é lucrativa né? ) e blá blá blá whiskas sachet.

Aí eu fiquei pensando… como o mundo e as pessoas são estranhas. Quando uma mãe ou bebê morre durante uma cesárea ou depois por conta de alguma complicação (e acreditem há muito mais mortes por cesáre que por partos normais) ninguém vai fazer escândalo na mídia, ninguém fica indignado pelo médico ter marcado a cesárea antes do tempo, antes de feriado, férias, viagem “importante”. ALiás, ninguém nem cogita que a cesáre possa ter desencadeado algum problema. O que se vê é uma ignorância total de como o corpo da mulher funciona, de quando os procedimentos são realmente necessários. As mulheres optam pela cesárea porque ela é mais cômoda e prática, melhor ir lá te cortam, tiram o bebê pra você e você não tem que fazer nada. Melhor ficar na ignorância sobre como o seu corpo funciona. Mas todo mundo sabe de pelo menos 5 casos da filha da prima da vizinha que morreu no parto, que foi cortada, que o bebê tem paralisia cerebral…

E sinto muito dizer, os úteros na sua grande maioria funcionam muito bem! O que está com problemas é a cabeça das pessoas.

Uma participante do Gesta que queria muito fazer um parto normal teve que fazer uma cesárea de emergência. Ela se preparou para o parto, fazia os exercícios e tudo mais. No fim da gravidez a pressão subiu, começou a comprometer o fluxo sanguíneo do bebê e foi feita uma cesárea de emergência no MESMO dia. Esse é um caso de uma cesárea necessária. O bebê provavelmente teria problemas durante o trabalho de parto (que exige do bebê também, ele participa junto).

Mas quantas cesáreas de emergência eu já vi marcadas para daqui 5 dias? Porque o cordão está “perto do bebê”, a bacia da mãe é muito estreita, o bebê ainda não está encaixado ou a mulher tem escoliose???

Ah Marilia, eu tive 84728457824 cesáreas e estou bem, meus filhos todos lindos correndo pulando por aí, me dando maior trabalho! O que conta é o bebê, o que conta é que deu tudo certo no final…

Eu sei, mas eu não entendo. Me desculpa. Eu não entendo uma mãe optar por um procedimento que tem mais riscos, onde ela VAI sentir dor (depois mais vai) por medo da dor. A dor do parto passa, 15 minutos depois do parto da Lais eu tomei banho TOTALMENTE SOZINHA comi e fui no berçário ver ela.  É muito diferente. A Laís era prematura e nasceu com Apgar 9 e 10, durante o parto há hormônios que são liberados para o bebê que ajudam ele a respirar quando nasce. Na cesárea agendada sem entrar em trabalho de parto isso não acontece. São muitos os casos de complicações respiratórias de bebês que nascem de cesárea.

Ah Marilia, mas tem muita mãe que o bebê nasce de parto normal e é péssima mãe, isso não tem nada a ver.

A questão nunca foi essa, eu queria era dar uns sopapos na primeira mulher que falou: eu não sou “menas” mãe porque tive meu filho de cesárea! A questão é a saúde, é o engano que se perpetuou de que a cesárea é a melhor escolha, ela nem deveria ser uma escolha, ela deveria ser usada em situações específicas onde o parto apresenta um risco maior que a cirurgia.

Mas o que ainda me deixa mais triste são as mulheres que querem ter um Parto Normal e respeitoso e não podem. Não podem porque não se preparam, porque o médico jamais deixará ela entrar em trabalho de parto, porque a família aterroriza tanto que ela perde a paciência e marca a cesárea, porque o medo supera a confiança no seu próprio corpo. E quando elas chegam a ter um Parto Normal ele vem cheio de intervenções que não eram necessárias para apressar tudo e acabar logo, afinal para o médico não é nada lucrativo ficar ali esperando.

Nessa reportagem aqui o meu GO Dr. Alessandro Galleto fala:

O parto humanizado é aquele com menor intervenção possível, ou seja, com menos medicamentos e sem intervenção de conduta. “É proporcionar à mulher uma condição que ela considere a ideal para a realização do parto, com a presença de acompanhante, num ambiente tranquilo”, explica ele.

Segundo Galletto, a medicina transformou o momento da chegada do bebê em algo mais complexo. O que sempre aconteceu de forma natural, em qualquer ambiente, foi levado para dentro do hospital e cercado de tecnologias. “A humanização é o resgate do que era o modo mais fisiológico possível.”

E ainda mais:

 O médico afirma que toda mulher deve saber do funcionamento do seu corpo e das possibilidades existentes para o momento de parir. “É preciso dar informação para quem quiser fazer de maneira natural, ter oportunidade para isso. Minha função é detectar problemas e, desde que não haja nenhum, a mulher pode fazer o que quiser.

Quem dera todos os médicos pensassem assim, e todas as mulheres soubessem que o papel dos médicos é esse e o delas é parir se tudo estiver bem.

BjoS!

Nem mais nem menos. Escolhas…

Atenção: esse post é enorme!

Gente querida dessa internet varonil! (Ui!)

Faz algum tempo que preciso escrever sobre a maternidade e as escolhas que precisamos fazer.

Vamos para um MACRO flashback de 12 quase 13 anos atrás. Eu tinha 15 anos e estava grávida. E eu quis engravidar, eu e meu namorado (que é meu marido até hoje) queríamos casar, e nem venham com conversinha que eu deveria estar brincando de boneca, porque se eu for contar a situação que estava minha vida naquela época vocês iriam entender que o Daniel na minha vida foi providência divina!

Não vamos fugir do assunto. Escolhi casar, tive outras opções, uma delas seria interromper a gravidez (sim, me deram essa opção pra quem não sabe). Isso na época chegou a me ofender, mas talvez a pessoa não entendesse que eu tinha escolhido engravidar. Pra mim soou como uma banalização da vida do meu filho, mas pra ela era só uma questão de ajuda, de dar um caminho.

Casamos, fiz 16 anos e 4 meses depois o Mateus nasceu. De parto normal, porque eu escolhi assim. Meu médico na época era bem favorável a isso, e me ofereceu o parto sem dor (com analgesia). Eu a princípio não queria anestesia, mas depois do soro com ocitocina e das primeiras contrações após o soro (peguei o médico “no pulo” ele tava saindo pra viajar, então resolveu dar uma apressadinha no parto) e o anestesista ali do lado, sempre tão simpático! Pedi pra anestesiar, e foi tranquilo, não senti nada, a sensação era que tinham tirado algum recheio de mim, Mateus nasceu lindo e bem. Me recuperei bem, e menos de uma hora depois eu já estava amamentando ele. Porque eu quis. Me chamaram de doida, me falaram que era mais fácil dar mamamdeira, mas eu não quis. E eu lembro de falar que se todo parto fosse como o do Mateus eu teria 20 filhos porque não senti nada.

Compramos uma chupeta pro Mateus, e numa consulta com o pediatra ele falou tão, mas tão mal da chupeta que jogamos fora ali mesmo dentro do consultório. Ele não usou chupeta, porque nós não quisemos. Eu nunca desacreditei no meu leite, aliás, nós nem tínhamos condições pra comprar um leite artificial, se ele saísse do peito iria direto pro leite de vaca e eu não achava certo eu ter leite, estar disponível (não trabalhava e tinha parado de estudar) e não amamentar. Além do mais, eu sempre gostei de amamentear. Uma coisa que me arrependo foi ter usado com ele o Método Nana Nenê, sabe aquele que deixa o bebê chorar? Então… se pudesse voltar no tempo e dar um presente a mim mesma seria um sling e um livro do Dr Karp. Mas era a moda da época e todos os pediatras indicavam, e internet meu bem, era só pra enviar email e usar o IRC, ICQ. Não tinha o conteúdo que tem hoje não! E o Mateus seguiu sendo amamentado porque eu quis até 1 ano e 2 meses que foi quando eu cheguei a 42 quilos de inanição. Ele literalmente me mamou! E escolhi parar de amamentar. Quis me cuidar, quis engordar um pouco, ficar mais bonita pro meu marido, pra mim.

O tempo passou e voltei a estudar, porque eu quis. Mateus tinha 5 anos e não nunca tinha frequentado escolinha, uma porque não poderíamos pagar mesmo e outra porque eu não via motivo pra isso, ele sabia tudo o que as crianças da idade dele sabiam indo pra escola. Eu levei ele pro primeiro dia de aula, ele me deu tchau e eu chorei, sim… mesmo passando 5 anos com o bichinho grudado em mim me enchendo os pacová 24 horas por dia, eu chorei, e choro de novo de lembrar.

Voltei a estudar, escolhi o curso técnico em Radiologia porque a jornada de trabalho era de meio dia. Só que… eu gostava do que eu fazia e acabei me destacando. Enquanto a maioria das pessoas que se formaram comigo até hoje não conseguiram emprego, de repente me vi trabalhando em 2 lugares. Coloquei o Mateus na escola em período integral, ele estava na 2ª série. Porque eu quis. E fui levar a minha vida de mulher trabalhadora de tripla jornada. Mas a vontade de ter outro filho foi batendo, junto com os desaforos que você leva no trabalho, com gente querendo puxar seu tapete e numa bela noite eu resolvi largar tudo pra ser mãe novamente (nesse meio tempo marido trabalhou pra caramba também e eu poderia fazer isso tranquilamente)… e larguei tudo, porque eu quis! Me chamaram de louca, de fraca, que eu não aguentava mesmo trabalhar porque queria fazer tudo muito certinho… em menos de 2 meses eu estava grávida, pra mim foi uma tipo de confirmação que estava fazendo a coisa certa.

Gabriel nasceu de parto normal, todo corrido com direito a ser levada pelo médico pra maternidade, ser xingada no trânsito no meio do caminho. Nasceu de parto normal porque eu e ele quisemos. Meu médico me propôs uma cesárea, mas como eu já estava com dilatação ele ia esperar mais 2 dias se não nascesse iria induzir. Quando cheguei na maternidade eu achei que como já estava com dilatação total eu ia conseguir ter esse bebê sem anestesia, mas qual foi a minha surpresa… havia um anestesista simpático lá também que me ofereceu dorgas uma raqui e eu fui anestesiada, porque eu quis. Me arrependi, não conseguia respirar direito com o caninho que colocaram no nariz, não sabia a hora de fazer força, mas até que foi rápido. E pra falar a verdade… eu senti tudo, a anestesia foi agir depois, quando fiquei esquecida no corredor enquanto arrumavam quarto pra mim escutando o Gabriel chorar numa salinha ao lado, sem sentir minhas pernas, sem poder levantar. Me arrependi. Pensava que jamais ia querer outro filho! Tive ataque de pânico e não sabia o motivo, tive depressão pós-parto.

Hoje eu vejo que eu idealizei uma coisa pra hora do Biel nascer mas ficou tudo só na minha cabeça. Na hora foi muito diferente e eu tinha que lidar com aquilo. Biel nasceu bem, um bebê fofucho e risonho que por ser assim abreviou com toda certeza esse período cinza da minha vida.

Quando ele tinha 2 meses fui chamada pra uma entrevista pra trabalhar numa clínica radiológica muito conceituada em Curitiba. Fui pra entrevista porque eu quis. Papo vai papo vem, tenho que falar que tenho bebê de 2 meses e amamento e não ia deixar de amamentar. Ela me diz então que é inviável mas que tinha gostado muito do meu perfil (logo eu que tenho nariz de periquito?) e se eu não tinha mesmo como desmamar o Gabriel e ficar com o emprego. Eu recusei o trabalho, porque eu quis. Indiquei uma amiga muito chegada minha que conheci durante o curso e ela trabalha lá até hoje. Indiquei porque eu quis e porque eu conhecia o trabalho dela. Mudamos pra Londrina, era pra escolher entre aqui e Salvador, mudamos pra cá porque era mais próximo dos parentes, a mudança era mais barata… enfim, porque quisemos. Meu pai queria que eu fosse pra Bahia haha!

Usava muito o sling com o Gabriel e sabia costurar, comecei a fabricar os slings porque adivinha? Eu quis. Não era fácil costurar com o bebê mamando, ir ao correio, loja de tecido etc. Meu marido ainda trabalhava fora, eu tinha que me virar. Nesse meio tempo fui pesquisando sobre parto porque fabricar sling me levou a conhecer muita gente desse meio “materno”. Foi quando uma pessoa começou a questionar sobre meus partos. Confesso que na hora fiquei meio ofendida… como assim não precisava episiotomia? Como assim a anestesia que me deram não serviu pra nada e me atrapalhou? Mas aí a pulga já estava lá, atrás da minha orelha, todo dia pulando e mordendo e cada vez mais ia entendendo o que tinha acontecido comigo. Na minha cabeça parir era natural, eu só faria cesarea em caso de necessidade. Mas eu mesmo não tinha feito nada nos dois partos, foi tudo comandado e feito pela equipe.

E foi aí que a Lais começou a ser planejada. Eu sempre quis ter 3 filhos, mas quando tive o Biel fiquei tão mal que achei que nunca mais ia querer nenhum. Mas de tanto lidar com grávidas, bebês, partos… a vontade voltou! Biel mamou 2 anos e 2 meses porque eu quis. Muita gente falava que ele ia ficar dependente demais de mim, que ele não ia se acostumar com outras pessoas e situações… balela. Eu bem poderia seguir amamentando ele mesmo grávida, mas eu realmente não quis, não tinha mais vontade de amamentar e desmamei. Ele não é nada dependente de mim, fica com o pai e com qualquer outra pessoa na boa, sabe muita coisa pra idade dele e ele não vai pra escola agora, porque eu não quero.

Engravidei de novo, porque eu quis, marido não queria muito não… e dessa vez eu queria tudo, queria sentir a dor, queria saber se tudo o que me questionaram era mesmo verdade. Se parir dói mas é bom, se quando chega a um determinado momento não dói mais, se eu era mesmo capaz de fazer sozinha seguindo o meu corpo e não alguém que está do lado de fora. E eu tive tudo. E era verdade. E eu pari sem anestesia de quatro na cama do quarto do hospital porque eu quis. E porque me deixaram. E por isso sou chamada de louca e corajosa, mas não acho que seja corajosa (louca eu já tenho certeza), eu escolhi, eu fiz. E tudo cooperou pra que acontecesse. Sim, foi totalmente diferente dos outros partos como experiência, não tem como negar! Deixei de ter os outros dois filhos por causa disso? Me sinto “menas main” por não ter feito do jeito que eu imaginava que seria antes? NUNCA! A Lais também será amamentada até quando eu quiser, ou quando ela não quiser mais. Vou continuar a costurar os slings até quando eu quiser, Gabriel só irá pra escola quando eu achar necessário e o Mateus não vai ter Facebook, MSN, Orkut até segunda ordem, porque eu não quero ele exposto na internet com o juízo de amendoim que ele ainda tem.

E pra quê eu to contando tudo isso?

Veja bem, eu escolhi esse caminho. Em todas as escolhas tive consequências. Quem teve que arcar com elas? Eu. Você pode achar que foi fácil, que foi muito difícil, que eu deveria ter feito isso ou aquilo, que sou muito boba, muito louca,  pense o que quiser, isso não vai mudar o que eu vivi, o que eu acho certo pra  mim. São as minhas circunstâncias, é a minha vida.

Quer ter filho de cesarea sem necessidade? Não vai ter meu apoio (como eu não tive de várias pessoas pra ter o parto natural por exemplo), mas eu respeito sua escolha. Quer dar mamadeira pro seu filho? Eu entendo, ordenhar é chato, cansativo e pode ser que pra você não dê pra conciliar o trabalho e a amamentação, e você não tá afim ou não pode largar o trabalho. Te respeito. Não acho que isso mude o amor que sente pelo seu filho. Mas aconselho a todas que conheço que se informem sobre o que é melhor para a situação que estão vivendo, pra que possam sempre ter uma escolha pelo menos informada. Mas respeito minha gente, é fundamental.

Eu luto a favor da humanização do parto, não posso ser desumana com quem tem escolhas diferentes das minhas. Quero que me respeitem nas minhas decisões, não quero ninguém debochando da maneira como pari, como amamento minhas crias. Por isso não vou debochar de ninguém. Não vou mais aceitar como ofensa provocação feita por quem não me entende. Eu sou feliz e resolvida com as minhas escolhas, eu não tenho que provar nada pra ninguém. E estou escrevendo tudo isso porque eu quero, e porque não quero mais me envolver nesse tipo de discussão.

Vale mais um filho meu dizer que eu sou a melhor mãe do mundo que qualquer uma outra pessoa que me julga e não me conhece vir me dizer que sou uma mãe de merda.

Se quer que escutem suas ideias, experimente escutar e tentar entender a ideia dos outros.

BjoS!

Relato do parto da Lais

O Sonho

Tive um sonho no começo do ano de 2010. Nele eu estava parindo num hospital e quando vieram me mostrar o bebê eu perguntei antes para o Daniel (meu marido) o que era? E ele falou que era uma menina! Eu não acreditei, abri o pano que ela veio enrolada e vi que era mesmo! Acordei dando risada, eu sempre imaginei que teríamos um terceiro filho, mas jamais que seria menina!

O negativo

Durante o carnaval tivemos a notícia que uma amiga nossa estava grávida. Eu comecei a sentir uns sintomas estranhos e a menstruação tava uns dias atrasada. Resolvi fazer um teste de farmácia que deu negativo. O motivo de eu desconfiar é que estava esquecendo  muito de tomar a pílula e o Biel estava meio que desmamando. Com isso eu sabia que mesmo tomando o remédio a chance de engravidar era mínima, mas existia. No outro dia pela manhã a mesntruação desceu. Era dia 17 de fevereiro.

O Positivo

Dia 04 de abril nós fomos na Expo Londrina, uma feira que tem aqui em Londrina todo ano. Eu ainda não sabia que estava grávida. Andamos, comemos um monte e na volta passamos no mercado. Eu não passei muito bem o dia todo e o marido só de rabo de olho pra mim. No mercado passamos pelo corredor que fica perto dos peixes e me deu uma ânsia terrível! Voltamos pra casa eu continuei meio “mareada” e o Daniel foi buscar outro exame de farmácia. Enquanto ele via o clipe do Tim Maia no You Tube eu vinha com o resultado na mão. Positivo. Ao fundo tocava “ A semana inteira, fiquei esperando, pra te ver sorrindo, pra te ver cantando…”. Eu fiquei muito feliz, ele mais assustado, o combinado era parar com a pílula em dezembro, mas em dezembro nosso bebê ja estaria por aqui. Com 13 semanas descobrimos o que o sonho já tinha dito, que era a Lais que estava vindo!

A gravidez, um susto.

Tudo tranquilo, com 20 semanas tive um susto, comecei a sentir contrações doloridas e num curto intervalo de tempo. Mas estava tudo bem, diminuí o ritmo e tudo voltou ao normal. Todos os exames ok. Lais até sorriu na fotinho 3D que o médico fez dela, enquanto isso eu ia elaborando mentalmente como seria o parto.

Planejando o parto.

A princípio a Patricia Merlin iria me doular, pensamos em um Parto Domiciliar, mas o tempo foi passando e sem ter uma equipe aqui em Londrina pra isso eu não estava mais confortável com a ideia. E apesar de estar tudo bem com a gestação e com a Lais eu sentia que o meu parto seria hospitalar, podem falar o que for, mas eu sentia isso sim. Então eu não estava criando mais muitas expectativas para um Parto Domiliciar. Se desse tinha dado e pronto. Se não eu não ia me estressar e iria pro hospital com alegria no coração hehe. Até porque confiança no meu GO eu tenho (agora mais ainda) de que ele iria me respeitar nos meus desejos de como eu queria que fosse o parto.

Como os partos anteriores foram bem rápidos e a Patricia mora em Maringá (cerca de uma horinha daqui) combinamos que a Lorena iria me acompanhar se a coisa ficasse meio The Flash. Lorena não é doula de formação, ela é fisioterapeuta e especialista em Yoga para Gestantes, e no curso de Yoga uma das coisas que se estuda é a doulagem, obviamente de um maneira menos profunda que em um curso de doula, mas eu sabia que ela estava preparada. Durante a gravidez eu li o livro Parto Ativo (foi a Lorena que me emprestou) e recomendo a todas que querem parir que leiam. Me ajudou muito!

O outro susto.

Com 34 semanas e 5 dias (mais ou menos) eu comprei as últimas coisas que faltavam pra Lais nascer. A menina é tão querida e abençoada (e nossos amigos tão amorosos) que nem era tanta coisa assim. Depois fomos ao mercado. Um dia antes comecei a sentir um desconforto lá dentro da… perereca (não tem como explicar de outro jeito) como se estivessem arranhando, e no mercado isso começou a aparecer novamente, mas de um jeito tão forte que eu tinha que parar de andar. Ligamos pro Dr. Alessandro que pediu pra me avaliar. Quando ele fez o toque, fez uma cara que pensei “ih, ferrô, tô dilatando”. E era bem isso, uns 3 cm e colo um pouco trabalhado, eu tinha um caminho: internar pra inibir.

Fiquei internada quase uma semana, e sinceramente foi bom para conhecer a equipe do hospital, ficar amiga das enfermeiras, conhecer o procedimento padrão deles, e de quebra ainda acompanhei o nascimento da Helena, filha da minha amiga Dani. Se estivesse em casa não conseguiria fazer repouso total. A Lais ainda não estava madura para estrear nesse mundão e quanto mais conseguíssemos manter ela dentro da barriga melhor seria!

Daniel se virou com os meninos, os três me encheram de orgulho cuidando da casa e deles mesmos.

Tem internet no hospital e isso foi ótimo pra eu não me sentir sozinha, já que o marido não poderia ficar comigo o tempo todo. Usei o MSN pra falar com o Biel na cam, até coraçãozinho com as mãos ele fazia hahaha!

Tive alta sábado dia 23/10 e viemos pra casa pra continuar a inibição com comprimidos. Os meninos continuaram me ajudando e consegui me manter em repouso. Mas na madrugada do dia 24 pra 25 o Biel passou mal com vômitos e o Daniel levou ele pro PS, eu estava com o intestino meio estranho, pensei que era por causa do antibiótico. No dia 25 Mateus passou mal a tarde e também ficou no PS a noite, e enquanto eles estavam lá (a essa altura Biel tava com diarréia também) eu passei mal e vomitei. Toda força que eu não fiz durante os dias de repouso vou “ti contá” que fiz naquela vomitada. Liguei pro Dr Alessandro que me passou o remédio pra eu tomar pra diarréia (intestino estranho é o caramba, eu tava com virose!). Mateus voltou (branco da cor da parede de casa) do PS e fomos todos domir. Marido ensaiava a virose também, mas começou a tomar o que eu tava tomando e eu acho que deu uma “segurada” hehe.

O Parto

Na madruga de 25 pra 26 eu senti algumas contrações, comecei a contar o tempo, não tinham ritmo e nem eram doloridas, desencanei e voltei a dormir. 9 da manhã eu senti outra vez. Ai comecei a contar, estavam de 5 em 5 minutos e bem fortinhas, durando bastante tempo cada uma. Cutuquei o marido e falei das contrações e ele imediatamente levantou rapidão e já começou a se vestir. Liguei pro GO que estava atendendo outra paciente, falei com a recepcionista (Tati, valeu! :D) que me pediu pra ir para o hospital que ele estava por lá mesmo. E lá fomos nós, antes de sair avisei a Lorena e ela também estava indo pra lá. Avisamos a Jana para vir aqui em casa pegar os meninos e fomos pro hospital.

10:15 Dei entrada pelo PS . Me levaram de cadeira de rodas pra maternidade, a princípio eu não queria isso, mas eu tava tão cansada, não tinha dormido bem, me sentindo meio fraca mesmo e não neguei a cadeira haha!

Chegando lá na ala da maternidade as enfermeiras todas sorrindo (ainda hehe) pra mim, perguntando se agora era a hora mesmo, eu tava tranquila entre uma contração e outra eu ia respondendo e conversando com elas enquanto o médico não chegava. Colocaram soro (SÓ SORO sem ocitocina nem nada) por causa da virose. No cardiotoco tudo ok, realmente as contrações estavam bem fortes e próximas uma da outra. Dr Alessandro chegou e fez o toque, 5cm de dilatação e colo totalmente apagado, Lais tava vindo com tudo! Isso que as 10 da manhã eu tomei a Inibina. Como eu ja disse antes o meu médico (Dr Alessandro, ou o GO :P) estava acompanhando outra paciente (e não sei não ser não eram mais duas, não lembro mesmo) então como eu tinha tomado o remédio as 10 lá pelas 3 da tarde era pra Lais chegar. Isso nas contas de qualquer mulher comum, não nas minhas. Eu sabia que ela tava vindo e era pra já. Mas né… eu queria era curtir o parto.

 

Curtindo o parto rs...

Vinha a contração eu respirava fundo controlava pra não lutar contra ela e ela ia embora. E assim foi. Fiquei ali na salinha de exames até me levarem pro quarto onde fiquei sozinha por causa da virose (bendita virose, me permitiu ficar no quarto sozinha mesmo tendo plano enfermaria). Antes ainda conversei com a Ângela, uma companheira de internação que também estava inibindo, ela era paciente do meu GO e tinha parido um dois dias antes de mim, uma fofa ela, foi me desejar boa sorte e me contar como foi o parto dela.

Assim que eu entrei no quarto a Lorena chegou com a bola, fiquei ali um tempo (a partir daqui eu não tive mais noção de tempo mesmo, as coisas simplesmente aconteciam) sentada, rebolando, respirando e… comecei a sentir o cheiro da comida do hospital.

– Ahhhh! Que cheiro de comida ruim!!!

Em menos de 3 segundos o Daniel ja tinha me trazido o lixo pra eu vomitar haha! Tá esperto o marido! Me deram um Dramin na veia que doía mais que a contração.

 

Cheiro de comida ruim...

O Dr Alessandro voltou e fez mais um toque, estava com 6cm, só que eu tive que deitar pra fazer o toque e isso não é legal. Começou a doer muito cada contração e o máximo que consegui fazer foi me virar pro lado esquerdo pra não ficar de barriga pra cima. E tava doendo muito (uma enfermeira veio me perguntar se tava doendo muito BEM no meio de uma contração), a Lorena fazia massagem de uma maneira tão gostosa, aliviava muito! Sempre me lembrando quando respirar e como respirar, meu Deus como isso ajudava! Daniel e ela se revezavam na massagem nas costas e na compressa de água gelada na testa, as vezes eu pegava a compressa e mordia, outras eu torcia, batia na parede (hahaha, isso foi algo que eu não esperava mas bater na parede aliviava a dor). Eu sabia exatamente quando era um e outro que me tocava, mesmo com os olhos fechados. Lorena se ocupou também em reduzir a luz, o braulho e movimentação no quarto.

Nessa hora eu só pensava em uma coisa:

– Eu não posso ficar nessa posição, preciso mudar!

Lorena fazendo massagem

Vomitei outra vez (sim, tenho estômago fraco) mas nem pra vomitar eu consegui sair da posição que eu estava!

Chegaram a preparar o chuveiro pra me aliviar, mas eu não conseguia sair da cama.

Assim que terminava uma contração começava a outra. Foi bem difícil essa parte. Até que comecei a conversar com a Lais:

– Filha, vem logo, vamos acabar com isso de uma vez. Mamãe tá fazendo a parte dela, aguenta firme, já vai acabar. Eu não escutei mas percebi o Daniel orando por mim, me senti tão amparada nessa hora, e me deu uma tranquilidade muito grande, consegui dar uma descansada, desconfio eu que estava em transição porque foi um alívio enorme!

E até que enfim consegui levantar, fiquei nos pés da cama em 4 apoios com vários travesseiros embaixo de mim, engraçado que eu imaginava mesmo que iria parir assim, por causa da escoliose essa é uma posição ótima pra descansar e por outro lado dá bastante firmeza que eu acho que não teria se estivesse de cócoras, e da maneira que estava não daria para fazer cócoras sustentada porque o marido não conseguiria subir na cama e muito menos eu conseguiria descer!

E começaram os puxos! O GO não tinha voltado ainda, foi uma correria! Eu tinha muita vontade de gritar, e gritei! Isso fez com que o quarto ficasse branco de enfermeiras, eu entendo o lado delas, mas me tiraram completamente a concentração!

A Enfermeira mandou vir uma maca pra me levarem pra Sala de Parto, só que o combinado era que eu NÃO iria pra lá! Entre uma contração e outra eu gritava e tentava explicar que eu já tinha combinado com o GO que eu teria o bebê no quarto. A mesma pessoa me falou pra não gritar (e aí que eu gritei mais forte ainda, só de birra mesmo) e que era pra eu segurar porque o pediatra que eu tinha escolhido não tinha chego ainda. Pois é, noção de Parto Ativo nenhuma. Eu entendo que ela estava preocupada com a Lais, porque ela foi prematura, mas eu me limitei a perguntar:

– Mas querida, não tem NENHUM pediatra nesse hospital??? Chama o que tiver!!! Eu não consigo segurar!

Depois ela veio com umas de Kit pra Episio, eu até queria argumentar, mas não deu.

E meu  marido já foi se esquentando falando que se ela mandasse eu parar de gritar de novo ele ia começar a gritar também (pelo menos desviou ela de falar comigo, na boa, tava atrapalhando) e nisso o Dr Alessandro chegou esbaforido, veio correndo pela escada (tem como não amar um médico que vem correndo te ajudar no seu parto?) eu quaaaase ri na hora porque ele tava respirando mais que eu, mas as contrações não me deixaram demonstrar o meu bom humor haha! Ele gentilmente tirou todas as enfermeiras do quarto.

Ficaram Eu, Daniel, Lorena, ele e o pediatra do hospital (Dr Akira se não me engano).

E aí os puxos (vontade de fazer força) aumentaram e a Lorena me lembrou de algo bem importante relacionado a respiração, ela veio bem no meu ouvido e falou baixinho:

– Faz a força no final da expiração. E me abraçava.

O Daniel ficou apoiado na parede (coitada da parede haha) com o braço esticado pra eu me apoiar, fez força junto comigo.

Nisso o Dr Alessandro perguntou se eu não conseguia ficar mais vertical, e eu não consegui. Não tinha como, eu precisava ficar de 4 mesmo. Ele falou que não fazia mal, fiquei do jeito que me senti melhor.

A bolsa estourou, por pouco a Lais não me nasce de bolsa e tudo!

E as dores começaram a diminuir, e a vontade de fazer força aumentar. Comecei a sentir arder tudo (acho que que se existe o tal “círculo de fogo” deve ser isso aí mesmo) e fiz mais uma força, o Dr falou:

– Ela já está aqui!

Isso me deu uma emoção tão engraçada que parece que parou tudo, eu perguntei:

– Posso pegar na cabecinha dela?

E peguei, e quando eu vi que ela estava realmente ali eu fiquei revigorada, comecei a fazer a força quando tinha vontade e no fim da expiração como a Lorena falou, eu acho que foram mais 3 forças e ela saiu, eu senti ela escorregar toda quentinha, essa sensação que eu não tive em nenhum dos outros partos por causa da anestesia!

Eram 12:58 do dia 26/10/2010!

O Dr Alessandro me passou ela pelo meio das minhas pernas e deixou ela deitadinha, eu logo peguei ela no colo e só sabia dizer que ela era gordinha, linda, parecida com o Biel, cabeludinha, e ela chorou pra mim! Me tranquilizou! Era como se ela dissesse que estava tudo bem, que tínhamos conseguido, que o sonho que eu tive agora era real! Aquele cheirinho de bebê que acabou de sair da gente! Olhei pra Lorena e disse, eu consegui!

:~)

O GO esperou o cordão parar e cortou, entregou a Lais para o Pediatra que levou ela para os primeiros cuidados (como ela era prematura eu nem questionei nada, ela foi mesmo ter todos os cuidados “padrão”, mas o Daniel foi com ela e falou que o Dr foi um anjo, que tratou ela com respeito). Ela teve Apgar 9 e 10!!!

Enquanto Lais foi com o pediatra ficamos eu a Lorena e o Dr Alessandro esperando a placenta, que saiu bem rapidinho até, me levaram pra sala de exames pro GO avaliar se tinha lacerado e se precisava de pontos, não precisou!

Como o pediatra da Lais não conseguiu chegar a tempo (estava se preparando pra chegar as 3 da tarde) ele por telefone pediu que ela ficasse em observação no berçário. Colocaram ela numa incubadora onde ela tacou o terror arrancando a tornozeleira de identificação, “mamando” na máscara de oxigênio, o pai sempre do ladinho dela.

Assim que consegui levantar, comer, tomar banho eu fui lá pra ficar com ela e só desgrudei pra ligar pro Pediatra pra ver se ele liberava ela pro alojamento conjunto, e ele liberou, no fim da tarde eu estava com ela no quarto, insistindo pra ela mamar e ela começou a sugar a noite. Era o único bebê que estava mamando, nem os que nasceram a termo estavam mamando! Ela chegou a tomar complemento de leite humano no berçário, mas assim que chegou no quarto foi só o da mamãe mesmo! Meu leite desceu em 2 dias, tivemos alta e viemos pra casa, ela é uma fofa!

Nós de alta

Sobre tudo isso e mais…

Se você quer parir precisa SE preparar pra isso. Ler sobre o parto, de preferência ter um doula! Eu diria que é essencial ter uma!

Deve procurar um profissional (médico ou parteira) que realmente te respeite e não ache bobagem ou “perfumaria” os seus desejos sobre o seu parto.

Você pode idealizar, imaginar como vai ser, mas a grande verdade é que é uma experiência surpresa! E vai ser melhor do que você imaginava.

Parir dói, pra mim doeu, mas como já disse até o Dramin na veia tava doendo mais, sofrer por causa das dores ou se deixar levar por elas é uma opção sua.

Eu tive o parto do meu sonho, e o parto que eu sonhava.

BjoS!

Chá da Lais

Eu amo esse negócio de chá. De panela, de fralda, de bebê… mas confesso que sou péssima pra organizar (inclusive festa de aniversário, tenho as ideias mas colocar na prática são outros 500 rs). No chá do Biel eu que fiz tudo, foi bem menos pessoas que eu pensava, mas estávamos em Curitiba né… a gente releva, quem REALMENTE importava foi e eu fiquei muuuuito feliz! Do Mateus não deu tempo de fazer porque ele nasceu 2 dias antes do chá.

E da Laís? Me empolguei em fazer o convitinho, mas depois fiquei pensando que não ia dar conta de organizar tudo, chamar todo mundo. Foi quando a Kaká se ofereceu pra fazer essa parte. Aí eu entendi como funciona um chá onde “azamigas” se reúnem para celebrar com a gravidinha.

E olha… não poderia ser melhor! Foi muito gostoso, me emocionei, várias vezes agradeci a Deus por ter amigas de verdade, que acabaram entrando na minha vida de maneiras diferentes, mas todas muito especiais.

E a Kaka? Nem sei se um dia vou conseguir agradecer todo o esforço que ela teve em organizar, encher balão, colar tudo, fora ir atrás das amigas, passar a listinha. Gente… que mulher! Mas ela que me aguarde…

Paguei mico! Paguei! Amooo! Chá sem mico é sem graça! As crianças participaram de tudo (Mateus inclusive) o Biel dormiu!!!

Eu amei! Realmente tem amigo que é mais chegado que irmão, e mesmo eu não estando tão próxima de todas elas o tempo todo eu posso sentir o amor e o cuidado que elas têm por mim.

Obrigada pelo carinho, pelos desejos de bom parto, saúde, capacidade pra cuidar de 3, que a Lais venha trazer coisas boas pra gente enfim, por tudo! Vocês são mais que especiais pra mim!

E pra quem não conseguiu vir, só tenho uma coisa a dizer… PERDEU! Tava muito bom mesmo!

Fotinhos!

So tenho a agradecer!!!

BjoS!!!

Sim, eu estou grávida, de novo!

Não posso deixar de registrar aqui o que tem acontecido de mais importante na minha vida, não é mesmo?

Pois bem, estava eu lá tentando desmamar o Gabriel, diminuindo mamadas e tal… esquecendo uma pílula ou outra… e adivinhem!?

Opa! Bebezinho na área!

Vai ser fértil assim n sei onde né?

Mas o mais engraçado foi quando fiz o teste de farmácia (depois de 2 filhos eu ainda era “virgem” em teste de farmácia).

Daniel lá escutando algumas musicas do Tim Maia, fiz o xixi, botei o trequinho no potinho e saí correndo do banheiro. Fui lá fingir que estava conversando quando na verdade tava é morrendo de medo de dar um positivo. Não que eu não quisesse estar grávida, é que o nosso combinado era desmamar o Biel, continuar com a pílula até dezembro e aí sim esperar vir um baby. Aí fui dar uma espiada… tava lá formando 2 listrinhas e eu não quis acreditar e sumi pro quarto de volta… deu o tempo certo, peguei a tirinha e mostrei pro marido:

– É acho que tô grávida…

– Então parabéns…

Ao fundo tava tocando:

E bem, vou confessar que estava querendo outro baby pra logo, não queria esperar tanto como esperei do Mateus para o Gabriel, mas não imaginava que seria pra tão “logo” assim.

Com 13 semanas fizemos a translucencia nucal com um médico daqui que dizem ser O cara que nunca erra o sexo do bebê a partir das 11 semanas. Nós lá na ecografia, se fosse menino Filipe, menina Laís, e o médico pergunta:

– E aí mãe, o que você quer? Filipe ou Laís?

– Doutor, eu acho que é menino (como coisa que a gente pode querer escolher o sexo do bebê rs).

– Bom, aqui está os pezinhos, a coluna, o estômago, o coração, a cabecinha… e blablabla whiskas sachê (juro que n entendi mais nada do que ele falou) da LAÍS!

Eu só sabia perguntar se era sério mesmo, se ele tinha certeza, e o Daniel só sabia perguntar se “aquilo” não ia virar um pinto depois.

Ele falou que não, que era menina, que era pra se acostumar com a ideia (fácil né? Quando você pensa que só consegue fazer machos haha) que tinha o sinal do hamburguer e ele tinha certeza.

Essa é a Laís, pra quem não entende de ecografia (99% da população) é o perfilzinho da cabecinha dela tá?

Saí da salinha sem nem saber por onde tinha entrado, fui pra sala de espera e contei pra todo mundo, ok um casal, que era menina e que eu estava surpresa, antes de entrar no carro Amorzo me abraçou e eu só sabia chorar, porque eu realmente não esperava que fosse menina, um menino agora seria bem mais fácil confesso. Foi o choro mais estranho da minha vida.

[Edição extraordinária para explicar para algumas pessoas não dotadas de sensibilidade na hora de interpretar um texto]

Explicando o meu choro. Filho é um presente, a gente nunca sabe o que está dentro do pacote. Se todo ano você recebe um carrinho, você espera que nesse ano seja outro carrinho. Aí vem uma boneca! E puxa! Você ganhou um presente diferente! Tão lindo e especial como os carrinhos, mas é diferente!

E no meu caso foi como se fosse meu aniversário. Dos outros anos não tive festa surpresa, mas desse foi uma surpresa e tanto! E quando você ganha uma festa surpresa, você chora de emoção, de alegria e de olha só! SURPRESA!

Eu espero que depois dessa explicação fique claro que eu NUNCA rejeitei e jamais vou rejeitar meus filhos, muito menos por causa de sexo (isso eles já sofrem por uma parte da família, é só ir uns posts atrás pra entender…).

[/Edição extraordinária para explicar para algumas pessoas não dotadas de sensibilidade na hora de interpretar um texto]

Agora eu vou em lojas de roupinhas e cacarecos pra bebê e olho bem tímida pra parte das meninas (que aliás é bem maior que a dos meninos fica aqui minha indignação), porque sinceramente eu não sei ser mãe de menina, to perdida!

Lógico que estamos felizes, até porque, se a menina queria vir, que viesse agora, porque a fábrica ia fechar de qualquer maneira :).

Fora tudo isso, Biel anda meio dodói, não sei o que ele tem, segunda vou marcar pediatra, porque os do PS não resolvem nada, mandam pra casa pra tomar Buscopan. Mateus esta passando por uma fase punk na escola, mas como tudo passa, isso também vai passar.

BjoS!!!

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